domingo, 23 de abril de 2017

Observação de aves no Viaduto 13 - Vespasiano Correa

           Acordamos cedinho no sábado do feriado de Páscoa e seguimos para Vespasiano Correa. Saímos (eu, Samuel, Alexandre e André) de Lajeado por volta de 5h30min, encontramos o Astor em Arroio do Meio e seguimos para o Viaduto 13 (V13). Chegamos ao destino por volta de 7h da manhã, sendo que havia um pouco de neblina neste momento.
Figura 1: Vista do vale do Rio Guaporé com um pouco de neblina na chegada. Foto de Cleberton Bianchini.
          Deixamos o carro na entrada da estradinha que leva até o V13 e começamos a caminhada. A estrada havia sido patrolada a poucos dias e estava bem aberta. Logo na subida encontramos o Turdus rufiventris (sabiá laranjeira), Turdus albicolis (sabiá coleira), Saltator maxillosus (bico grosso), entre outros fulanos vocalizando em uma figueira com sementes. Seguimos o baile e a bicharada foi aparecendo, Sittasomus griseicapillus (arapaçu verde), Dendrocolaptes platyrostris (arapaçu grande), Chamaeza campanisona (tovaca campainha), Scytalopus speluncae (tapaculo preto), e outros tantos. Percebemos que a uva japonesa, apesar de ser exótica, acaba se tornando uma referência dentro da vegetação, pois inúmeras espécies de aves acabam se alimentando das frutinhas neste período.
          Seguimos caminhando e, de repente, começa uma algazarra no mato. Era um bando de macacos prego circulando nas árvores de um lado para outro. Ficamos observando por uns instantes, pois não é todo dia que encontramos estes fulanos em ambiente natural.
Figura 2: Vista geral de um determinado seguimento do local. Fotografia de Cleberton Bianchini.
          Continuamos a caminhada e nos deparamos com um canto muito legal e que fazia dias que não escutávamos. Tratava-se do Micrastur ruficollis (falcão caburé). Seguimos bem quietos para tentar avistá-lo, mas não teve jeito, o fulano nos avistou antes e não escutamos mais e não tivemos a sorte de avistá-lo. Mas valeu o encontro. Na sequência também escutamos o Piculus aurulentos (pica pau dourado) e o Triclaria malachitacea (sabiá cica) e avistamos a Haplospiza unicolor (cigarra bambu), Euphonia chalybea (cais cais) e o Pyrrhocoma ruficeps (cabecinha castanha).
Figura 3: Conopophaga lineata (chupa dente) dando mole para fotografia. Foto de Cleberton Bianchini.

Figura 4: Haplospiza unicolor (cigarra bambu) cantando muito. Foto de Cleberton Bianchini.

Figura 5: O Trogon surucura (surucuá variado) fazendo jus ao nome popular de dorminhoco no interior do RS. Foto de Cleberton Bianchini
Figura 6: Platyrinchus mystaceus (patinho). Fotografia de Samuel Oliveira.
           Andamos por aproximadamente 3,5 km pela estrada, então resolvemos voltar. No caminho de volta ainda observamos diversas espécies, como o Pachyramphus castaneus (caneleiro), Hemithraupis guira (saíra de papo preto), Cacicus chrysopterus (tecelão) entre outras espécies. No último trecho do retorno encontramos uma grata surpresa. Escutamos e avistamos o Phyllomyias burmeisteri (piolhinho chiador). O bichano cantava logo no início da trilha, em local com vegetação em regeneração próximo a um pequeno riacho. Avistamos ele e colocamos o playback para confirmar a espécie. Permitiu algumas fotografias para os mais rápidos no gatilho.
Figura 7: Phyllomyias burmeisteri (piolhinho chiador) avistado no final da trilha, sendo uma grata surpresa para o vale. Foto de Cleberton Bianchini.
          Neste trecho que percorremos, o caminho apresenta locais com vegetação em regeneração (com aproximadamente 15 a 20 anos de recuperação), locais com vegetação mais bonita e alguns pequenos trechos de vegetação imponente, com árvores altas e um sub-bosque bem formado. A estrada é pouco utilizada e apresenta boas oportunidades de avistamento de espécies.

Figura 8: Participantes da saída, seguindo da frente para os fundos, André, Alexandre, Samuel, Astor e Cleberton. Fotografia de Cleberton Bianchini.
           Na volta ainda demos uma passada no V13, pois alguns participantes da saída ainda não conheciam o local. O viaduto possui 143 metros de altura, na parte mais alta, sendo o mais alto da América Latina. A circulação de trens é somente com carga, mas tem projeto em andamento para a utilização de trem de turismo no local.
Figura 9: Participantes conhecendo o V13.
           O destaque do dia ficou por conta do encontro com o Phyllomyias burmeisteri (piolhinho chiador). Também merecem destaque o encontro de quatro espécies de arapaçus, Sittasomus griseicapillus (arapaçu verde), Dendrocolaptes platyrostris (arapaçu grande), Xiphorhynchus fuscus (arapaçu rajado) e Lepidocolaptes falcinellus (arapaçu escamado do sul). Além do encontro com o Micrastur ruficollis (falcão caburé), Piculus aurulentos (pica pau dourado), Triclaria malachitacea (sabiá cica) e do Euphonia chalybea (cais cais).
           A lista completa das espécies avistadas no dia pode ser conferida aqui.  O local apresenta infraestrutura para receber visitantes, podendo ficar na pousada Eco Refúgio Explorer.       

Obrigado pela companhia amigos, nos vemos na próxima.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Observação de aves em Três Lagoas - Progresso

          No dia 26 de março realizamos a tradicional saída mensal de observação de aves do COA Vales. Desta vez a saída ocorreu no interior do município de Progresso, na localidade de Três Lagoas. Os integrantes que participaram foram o Astor Gabriel, Cleberton Bianchini e Morci Schmidt. Realizamos uma caminhada, com cerca de 1,5 km de extensão, em uma estrada na encosta do vale do Rio Fão, conforme imagem abaixo.
Figura 1: Trajeto percorrido pelos observadores na localidade de Três Lagoas, interior do município de Progresso. Fonte: Imagem do Google Earth.
          Chegamos ao local por volta das 7h, sendo que havia um pouco de neblina no caminho e na parte superior do morro. Logo que chegamos avistamos uma Aramides saracura (saracura do mato) tentando atravessar a estrada. Ficamos um pouco ao redor do carro, pois a bicharada estava realizando o desjejum em uma árvore com frutinhas que não conseguimos identificar a espécie. Ficamos um pouco por ali e depois seguimos. Logo no início avistamos o Trogon surucura (surucuá variado) praticamente dormindo no galho ainda pois ficou imóvel e não se importou conosco. Também avistamos e escutamos o Philydor rufum (limpa folha de testa baia) nas árvores nos arredores. Além do Cyclarhis gujanensis (pitiguaria), da Setophaga pitiayumi (mariquita), Pachyramphus castaneus (caneleiro) e da Chamaeza campanisona (tovaca campainha) que cantou bem perto.
Figura 2: Pachyramphus castaneus (caneleiro). Fotografia de Morci Schmidt.
Figura 3: Trogon surucura (surucuá variado) dormindo no galho. Fotografia de Astor Gabriel.
          Seguimos o vale e, para nossa surpresa, escutamos a Chamaeza ruficauda (tovaca de rabo vermelho) cantando não muito longe. Tentamos o playback, mas nada de sair do brejo. ÔÔ bichinho embretado e difícil de se avistar. Depois do baile, seguimos caminho.
Figura 4: Morci e Cleberton procurando Tilltapes, quer dizer, aves no mato. Fotografia de Astor Gabriel.
Figura 5: Astor ainda registrou a Hemithraupis guira (saíra de papo preto) na subida.
Figura 6: Morci consegui fazer um registro da Drymophila malura (choquinha carijó). Fotografia de Morci Schmidt.

Figura 7: Já que não fiz nenhum foto de passarinho, nos fotografei na descida. Foto de Cleberton Bianchini.
          Durante a saída avistamos 54 espécies no local, com grande destaque para a Chamaeza ruficauda (tovaca de rabo vermelho). A lista completa por ser observada aqui. Esta região do vale do Rio Fão é promissora para saídas de observação. No entanto, seria interessante encontrar um local com estradas menos movimentadas, no interior de propriedades por exemplo.

           Que venham mais saídas de observação.

           Que venham novos lugares, novos amigos....


Seguimos na busca por novos locais de observação aqui nos vales.

A próxima saída será para o V13, interior de Vespasiano Correa, podes conferir o link do evento no facebook aqui.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Observações de Fevereiro

     Destas vez farei um relato um pouco diferente. Comentarei duas saídas, uma especificamente para observação e outra não, para dois locais distintos.
      O primeiro relato é sobre a saída mensal de observação de aves do COA Vales. Desta vez tivemos um número reduzido de participantes em virtude de diversos fatores, somente eu e o Felipe, mas mantivemos o cronograma. Depois de tentar ir por três vezes ano passado e não conseguir por causa da chuva, que também atrapalhou e tivemos que adiar uma vez este ano. Conseguimos ir para o Perau da Nega em Boqueirão do Leão. O local é um ponto turístico do município e em seu entorno tem uma área de aproximadamente 800 hectares de vegetação nativa. Estávamos muito ansiosos com esta saída fazia tempo. Acordamos cedinho e seguimos para o local, chegando lá por volta de 7 horas.
       Começamos fazendo uma caminhada na estrada que leva até a cachoeira, por ali estava tudo muito tranquilo e poucas aves. Continuamos por mais de uma hora observando na estrada e resolvemos voltar e fazer a trilha perto do rio. Descemos cerca de um km nesta trilha e também não foi tão proveitosa em termos de observação. No avançar das horas da manhã, já estava bastante quente e a bicharada estava ainda mais quieta. Ao todo, avistamos 40 espécies durante a manhã. A lista completa pode ser conferida aqui. Os destaques ficam por conta de um casal de Euphonia chalybea (cais cais) e de dois indivíduos de Scytalopus speluncae (tapaculo preto) que escutamos em diferentes pontos. Ambos não são tão comuns de se encontrar aqui pelas nossa região.
         O segundo relato será de um acampamento que fiz com uns amigos no interior do município de Dois Lajeados, na Casa Recanto da Ferrovia. Este local fica no vale do Rio Guaporé, com matas bem preservadas e áreas enormes com vegetação nativa. Um dos locais mais bem preservados do Vale do Taquari. A lista contém registros de avistamentos que fiz durante a minha estadia no local e também de uma hora de observação no domingo pela manhã no entorno do local. Ao todo, foram 62 espécies registradas durante o sábado de tarde e noite, e domingo de manhã e tarde. A lista completa pode ser conferida aqui. Os destaques ficam por conta da Chamaeza ruficauda (tovaca de rabo vermelho) que escutei em dado momento e consegui gravar um vídeo na câmera, sendo identificada posteriormente por um amigo. Este local é promissor para observação de aves devido as matas bem preservadas, sugiro voltarmos mais vezes pra lá.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Cronograma 2017



Cronograma do COA Vales para 2017
Data: 14 e 15/01/2017
Local: Piquiri e Margens do Camaquâ, no interior do Município de Encruzilhada do Sul.
Acesso: maiores informações com João e Rodrigo.
Observações: No Piquiri é possível realizar observação da estrada, pois a circulação é livre por estradas e corredores entre as propriedades. Pode-se fazer o trajeto de carro ou a pé, aproveitando os melhores locais. O local apresenta diversidade de ambientes, como campos nativos e antropizados, matas de galeria nas margens dos arroios, algumas plantações e também áreas com silvicultura. O local está distante cerca de 60 km da sede do município. Não se tem uma estimativa das espécies encontradas lá, visto que as observações são realizadas informalmente por dois integrantes do COA Vales. Nas margens do Rio Camaquâ, existem várias áreas que podem ser exploradas nesta região, mas citarei somente uma. O acesso pode ser feito via RS471 até a ponte do Rio Camaquã. É uma trilha com livre acesso e com cerca de 8 km de extensão até a localidade de Pesqueiro Rico. A trilha é feita por um antigo caminho, hoje estrada abandonada, pelas margens do Rio. Durante o percurso há diversos tipos de ambientes e de paisagens, com áreas bem preservadas. Não se tem uma lista de espécies do local, pois os integrantes realizam observações esporádicas por lá.
Figura 1: Piquiri. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.


Figura 2:  Margens do Rio Camaquâ, no interior do município de Encruzilhada do Sul. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 12-02-2017
Local: Perau da Nega no interior do município de Boqueirão do Leão
Acesso: Seguir por uma estrada de chão, por cerca de 5km a partir da prefeitura de Boqueirão do Leão.
Observações: Local com cerca de 800 hectares de vegetação. O local é um ponto turístico do município e não tem problema de ir praticar observação lá. Tem-se a possibilidade de fazer algumas trilhas no local, tanto na parte de baixo como na parte de cima do perau (não conheço a trilha superior). Até o momento não realizamos observações lá, mas a área parece promissora, além de que o Belton menciona a ocorrência de Spizaetus tyrannus (Gavião pega macaco) e Procnias nudicollis (Araponga).
 Figura 3: Perau da Nega no interior do município de Boqueirão do Leão.  Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 12-03-2017
Local: caminho de Constantino no interior de Progresso.
Acesso: Partindo de lajeado, deve-se seguir pela BR 386, em direção a Soledade, até a ponte sobre o Rio Fão, tornar a esquerda e seguir pela estrada de chão por cerca de 18 km.
Observações: Realizaremos um trajeto de cerca de 3,3 km nas encostas do Rio Fão. Não conheço o local, mas parece-me uma estrada de circulação de veículos.
Figura 4: Caminho de Constantino no interior de Progresso: Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 09-04-2017
Local: Caminho no Viaduto 13, no interior do Município de Vespasiano Corrêa.
Acesso: seguir por estrada de chão, por cerca de 18 km, a partir do acesso ao V13 na cidade de Muçum na RS 129.
Observações: O local fica no vale do Rio Guaporé, próximo ao Viaduto 13 (V13). O V13 é um importante ponto turístico da região do Vale do Taquari estando situado a 18km da RS 130, na altura da cidade de muçum. Tem a possibilidade de alojamento do Refúgio Eco Explorer (www.refugioexplorer.com.br) com capacidade de alojamento para 26 pessoas. A trilha sugerida tem cerca de 3,5 km e está situada toda dentro da mata. A região apresenta altitudes na casa dos 400 metros e possui uma grande área de vegetação interligada devido ao Vale do Rio Guaporé. Ainda não se tem uma lista de espécies do local, visto que não realizamos nenhuma saída de observação para este local.
Figura 5:  Caminho sugerido próximo ao V13, no interior do município de Vespasiano Corrêa. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 14/05/2017
Local: Fazenda Lagoa do Coração, no interior do Município de Rio Pardo.
Acesso: próximo a cidade, falar com Samuel para combinar com o proprietário da Fazenda.
Observações: Já realizamos saída para este local no ano de 2015, foi muito proveitosa. Registramos 124 espécies somente em um dia. Possui diversidade de ambientes com campos e vegetação florestal além de áreas alagadas e lagoas, fica na transição do Pampa com a Mata Atlântica. Os proprietários colocaram à disposição um local para pernoite caso desejarmos fazer mais observações lá. O relato completo desta saída pode ser conferido aqui.
Figura 6:  Fazenda Lagoa do Coração, no interior do município de Rio Pardo. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 11/06/2017
Local: Morro Lohmann, no interior do Município de Roca Sales.
Acesso: Partindo de Lajeado, deve-se ir para Colinas, de lá seguir para Roca Sales e tornar a direita antes de chegar na cidade.
Observações: O morro Lohmann está localizado no município de Roca Sales, no lado oposto do Rio Taquari na altura do Morro Gaúcho. A trilha apresenta cerca de 2 km, com uma porção bastante inclinada. Trata-se de um bom fragmento de vegetação bem preservado. Já realizamos algumas saídas para lá, em média avistamos cerca de 70 espécies. Os destaques ficam por conta da Hemitriccus obsoletus (catraca) e do Amaurospiza moesta (negrinho do mato). Também é possível observar por lá Stephanophorus diadematus (sanhaço frade), Titýra cayana (anambé branco de rabo preto) entre outras espécies. Segundo informações repassadas oralmente pelo Glayson Bencke, também é possível encontrar lá o Hydropsalis forcipata (bacurau tesoura gigante). A lista prévia pode ser conferida aqui.
Figura 7:  Percurso no Morro Lohmann, no interior do município de Roca Sales. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 16/07/2017
Local: Tamanduá, no interior do Município de Marques de Souza.
Acesso: seguir pela BR386 até o distrito de Tamanduá, em Marques de Souza.
Observações: Já realizamos saída para lá no ano de 2015. O relato da saída pode ser conferida no Blog do COA Vales.


Figura 8:  Percurso em Tamanduá, no interior do município de Marques de Souza. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 15/08/2017
Local: Maravalha, no interior do Município de Cruzeiro do Sul.
Acesso: começamos a observar atrás do salão da comunidade.
Observações: Já realizamos saída para este local e o relato pode ser conferido no blog do Coa Vales.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Observação de aves no município de Encruzilhada do Sul

         Seguindo a ideia de realizar uma saída de observação de aves por mês, o COA Vales seguiu para o município de Encruzilhada do Sul. Nossa saída ocorreu durante o final de semana dos dias 14 e 15 de janeiro. Existem dois integrantes do COA que são de Encruzilhada, o Rodrigo e o João, que organizaram a saída. Felizmente o Rodrigo não pode participar pois o filhote dele nasceu no meio da semana, saúde pro guri que acabou de vir ao mundo e felicidades ao amigo e família. Mas, o Seu João nos recebeu muitíssimo bem em sua casa. Também encontramos um casal de Rio Grande que estava visitando o Seu João e realizaram uma saída conosco.
         Os guris de Encruzilhada vem fazendo um papel de destaque no encontro de espécies por aquelas bandas. Hoje, o município apresenta 252 espécies registradas no site wikiaves. Este elevado número de espécies para o município é reflexo da paixão dos dois para observação, além das potencialidades do município devido a diversidade de ambientes. Parabéns pelo excelente trabalhado que vocês vem realizando no município.
          Saímos do Vale do Taquari em cinco pessoas (Astor, Alexandre, André, Cleberton e Tafael), até Santa Cruz do Sul. Então, juntaram-se a nós, mais o Samuel e o Jardel, e de lá seguimos para Encruzilhada. Chegamos na cidade por volta das 17 horas, encontramos o seu João e conversamos um pouco por ali. Ele nos relatou que no início da tarde haviam encontrado o Piranga flava (sanhaço de fogo) próximo da casa dele. Então, resolvemos dar uma incerta e ver se o bicho aparecia novamente. Mas infelizmente não apareceu. Ficamos observando por umas duas horas ali por perto, entramos em um potreiro e seguimos em direção ao riacho. Durante a tardinha avistamos inúmeras espécies, podendo citar o Megarynchus pitangua (neinei), Patagioenas cayennensis (pomba galega), Vireo chivi (juruviara), Tapera naevia (saci), Sporagra magellanica (pintassilgo), Empidonomus varius (peitica), Veniliornis spilogaster (picapauzinho verde carijó), Cyanocorax caeruleus (gralha azul), entre outros tantos.
Figura 1: Passarinhando próximo a cidade. Fotografia de Astor Gabriel.
Figura 2: Até um Arco-Íris nos foi dado. Fotografia de Astor Gabriel.
Figura 3: Empidonomus varius (peitica). Fotografia de Astor Gabriel.
Figura 4: Veniliornis spilogaster (picapauzinho verde carijó). Fotografia de Astor Gabriel.
        No início da noite ficamos esperando para ver se o Hydropsalis parvula (bacurau chintã) aparecia. Mas não foi desta vez. Voltamos para casa do Seu João e jantamos. Aliás, um jantar para os deuses gaúchos. Um churrasco maravilhoso, feito no capricho pelo Seu João. Após a janta, saímos novamente para ver se encontrávamos umas espécies noturnas. Encontramos somente o Hydropsalis torquata (bacurau tesoura).
         Domingo pela manhã, acordamos cedinho e seguimos para as margens do Rio Camaquâ, já na divisa com Canguçu. No caminho, saímos do asfalto e seguimos por uma estrada de chão. No trajeto avistamos inúmeras espécies, podendo citar o Theristicus caerulescens (maçarico real ou curicaca real), Myiophobus fasciatus (filipe), Cyanoloxia brissonii (azulão), Schoeniophylax phryganophilus (bichoita), Sicalis luteola (tipio), entre outras tantas espécies.
Figura 5: Theristicus caerulescens (maçarico real ou curicaca real). Fotografia de Astor Gabriel.
        Chegamos às margens do Rio Camaquâ, por volta das 7h30min. Deixamos os carros e seguimos para trilha. O local apresenta matas bem preservadas, com subbosque fechado e árvores imponentes. Havia muitos exemplares de Pirapiptadenia rigida (angico). Realizamos uma trilha de aproximadamente 1,5 km dentro da mata, seguindo o rio. Neste momento observamos algumas espécies de mata, como o Sittasomus griseicapillus (arapaçu verde), Chamaeza campanisona (tovaca campainha), Pyrrhocoma ruficeps (cabecinha castanha), além de um bando de Amazona pretrei (papagaio charão) que passaram voando sobre nós. Também avistamos um Sclerurus scansor (vira folha) nos sacaneando. É, sim senhor, o fulano estava nos sacaneando. Vou explicar. Escutamos uma vocalização e não conseguimos identificar. Ficamos apreensivos, pois o som estava próximo a nós e não avistávamos o emissor. Certo momento avistamos o Sclerurus scansor, mas ainda procurávamos o emissor do som, pois não era nenhum dos cantos conhecidos do vivente. Então, ficamos observando atentamente até ele cantar e, EURECA, era o Sclerurus scansor fazendo aquele som. Então ele virou na nossa direção e disse "pegadinha do malandro, yé yé", hahaha. Esta parte é brincadeira.
Figura 6: Indivíduo de Sclerurus scansor (vira folha), autora da pegadinha. Fotografia de Cleberton Bianchini
Figura 7: Observadores reunidos ao lado de um belo exemplar de Pirapiptadenia rigida (angico). Fotografia de Samuel Oliveira.
            Seguimos o baile, ainda intrigados com o canto do Sclerurus scansor. Saímos da mata e chegamos em uma área de campos com pastagens. Nesta área ainda avistamos um indivíduo de Heterospizias meridionalis (gavião caboclo) pousado em um moirão. Que logo alçou voo e recebeu a companhia de mais um que veio vocalizando forte. Também avistamos um Anthus lutescens (caminheiro zumbidor), Cathartes aura (urubu de cabeça vermelha), Agelaioides badius (asa de telha), além de uma passarada fazendo a festa com as frutinhas vermelhas de um exemplar de Matayba elaeagnoides (camboatá branco).
Figura 8: Frutinha de  Matayba elaeagnoides (camboatá branco) e que fazem a alegria das aves. Fotografia de Cleberton Bianchini.

Figura 9: Pessoal voltando do capão. Fotografia de Cleberton Bianchini.
Figura 10: Não queria dizer, mas, teve gente pulando a cerca na saída. Fotografia de Cleberton Bianchini.
          No retorno, resolvemos dar uma passadinha nas cascalheiras do Rio Camaquâ, para tentar a sorte. Avistamos dois indivíduos de Phaetusa simplex (trinta réis grande), mais dois de Charadrius collaris (batuíra de coleira) e um indivíduo adulto e mais um filhote de Hydropsalis torquata (bacurau tesoura). Enquanto descansávamos um pouco, ainda apareceu mais um casal de Megaceryle torquata (martim pescador grande) na margem do rio. Resolvemos retornar para a cidade e no caminho, não muito longe do local que estávamos, avistamos alguns indivíduos de Amazonetta brasiliensis (ananaí) em um banhadinho e um indivíduo de Ciconia maguari (joão grande) que passou voando por nós. Na chegada na cidade, ainda observamos umas aves no quinta da casa do Seu João, que aliás, é um magnífico quintal.
           Foi um final de semana muito proveitoso. Foram 111 espécies avistadas na saída, sendo que a lista completa pode ser conferida aqui. Os destaques ficaram por conta do bando de Amazona pretrei (papagaio charão) que passou sobrevoando a área em que estávamos, o encontro com o Megarynchus pitangua (neinei) tão ao sul e a malandragem do Sclerurus scansor (vira folha). Não conseguimos identificar o motivo de ele estar cantando assim, vale uma observação para os próximos encontros com a espécie.
          No mais, foi um final de semana muito bom. Gostaria de agradecer mais uma vez a hospitalidade do Seu João e família.
Nos vemos na próxima pessoal.