segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Observação de aves na região dos Pampas ( Bagé e Aceguá).

 A palavra pampa veio do idioma Quéchua- Idioma de origem indígena- e significa " terra plana".
 Uma das principais características dos pampas é justamente a paisagem formada por planícies,
 ocupando 65% do território Gaúcho.
Foto Gabriela Santos
   


          Com a chegada  de 2018 e aproveitando a ideia de renovação, como em todo o início de ano, resolvemos mudar nossas saídas mensais, que  normalmente se restringia as regiões dos vales do Rio Pardo e Taquari, e assim ampliando nossos horizontes. E nada mais justo do que retribuirmos uma visita feita pelo nosso amigo Caio Belleza a nossa região ano passado. O local escolhido foi a região da fronteira com o Uruguai, nos municípios de Bagé e Aceguá, onde horizontes ampliados são uma constante na paisagem local.
           E com o plano em mente, pegamos a estrada rumo a famosa Bagé, o que era novidade pra mim e muitos do grupo. Saímos do Vale do Taquari por volta de 3:00h da manhã de sábado 13/01/18. Meu irmão André, eu e minha mulher Gabriela em um carro, o Astor, Morci e Cleberton em outro. Chegamos ao local combinado, Pousada Chácara das Rosas, por volta das 7:40h, um pouco antes do horário combinado que era 8:00h, aguardamos o anfitrião Caio que chegou logo em seguida. Já na sede da pousada, sem delongas, nos encaminhamos ao banhado, e se iniciava aí a observação com o avistamento de várias espécies que apreciam aquele tipo de ambiente, como um casal de Príncipe (
  Pyrocephalus rubinus) que alimentava seu filhote, outro casal,  desta vez de Cochicho ( Anumbius annumbi), Andorinha do Campo (Progne tapera) entre outros. Passamos algumas porteiras até chegarmos ao local, um extenso banhado onde várias espécies nos presentearia com sua presença. Inclusive um Graxaim do Campo! Que permitiu a todos uma grande aproximação, sem se incomodar muito. E depois de feita a seção de fotos a esse incrível Mamífero, voltamos a atenção aos tão ou mais incríveis e sensacionais multicoloridos seres alados.





O Graxaim ou Sorro é um mamífero carnívoro da família dos Canídeos,
 encontrado nos campos úmidos do sul do Brasil, no Paraguai no norte da Argentina e no Uruguai,
 sendo conhecido como Zorro de las pampas nestes três últimos países.
  Nome cientifico: Lycalopex gymnocercus 
 Foto Alexandre Picoli                                 

         Depois de pouco tempo no banhado, surge ao longe aquela pequena criatura por cima das arvores retorcidas que formam aquele ambiente. E mesmo naquela distancia já se percebia sua extrema beleza. Caboclinho de Chapéu Cinzento ( Sporophila cinnamomea)! Deu um show! Cantarolava e se exibia para o grupo. Eu particularmente gosto demais dos Sporophilas, família de aves com uma grande diversidade de espécies, que possuem coloração de uma beleza intensa e que habitam campos secos ou úmidos, como no caso. Neste mesmo banhado observamos várias outras espécies  como o Tio Tio ( Phacellodomus striaticollis), Arredio do Gravatá ( Limnoctites rectirostris), Coleiro do Brejo ( Sporophila collaris) e Tico Tico do Campo ( Ammodramus humeralis).


Coleiro-do-Brejo                                                                                                                                    Foto Astor Gabriel

Local onde foi observado Caboclinho-de-Chapéu-Cinzento                                                     Foto Gabriela Santos
Tio-Tio                                                                                                                                                Foto Cleberton Bianchini
Arredio-do-Gravatá                                                                                                                Foto Cleberton Bianchini



Caboclinho-de-Chapéu-Cinzento                                           Foto Alexandre Picoli



     Retornamos, e já na pousada observávamos outras espécies enquanto conhecíamos a mesma. Fomos apresentados ao casal donos da propriedade, sogro e sogra do Caio e também a Pomba do Orvalho (Patagioenas maculosa), que se deixou observar no auto de um eucalipto, junto a um macho de Pintassilgo (Spinus magellanicus).

Pintassilgo                                                                                                                                            Foto Astor Gabriel


Pomba-do-Orvalho                                                                                                                              Foto André Picoli




            Com o cronograma já apresentado pelo anfitrião, nos dirigimos então a Aceguá. Município este, onde fica a fronteira do Brasil com o Uruguai, elevando assim, nossa saída do Coa Vales, que até então era regional, a uma saída internacional. Almoçamos do lado brasileiro, e para fugir do calor intenso que fazia, fomos as compras em um free-shop. Depois de uns 30 minutos, voltamos ao que realmente interessava, que era as aves. Já que o dólar tava muito caro.




Coa Vales passou a ser internacional a partir deste dia. Aceguá/Uruguai                                Foto Gabriela Santos
                Seguimos em direção ao interior, em território brasileiro de Aceguá agora, apreciando as paisagens que se descortinavam durante o trajeto até o Banhado da Carpintaria. Algumas espécies mais comuns foram avistadas como o Quiri- Quiri ( Falco sparverius), Ema (Rhea americana) com filhotes e Seriema (Cariama cristata). 

Quiri-Quiri                                                                                                                                     Foto Alexandre picoli

Jovem Ema                                                                                                                                 Foto Alexandre Picoli
        Paramos em um local onde o Caio avistou em uma outra ocasião o Arapaçu Platino (Drymornis bridgesii). E não é que o danado estava lá! No mesmo local! Pena não ter dado muita chance pra foto. Mas vê-lo foi demais! Seguimos até um outro ponto onde ele supostamente poderia dar as caras, mas não tivemos sorte. Na natureza é assim mesmo, quando procuramos por certa espécie, e ela não aparece, ou, não da moleza pra fotos, isso
só nos deixa instigado a querer voltar em uma outra ocasião. Mas, essa mesma natureza, pode nos recompensar e ou nos presentear de uma forma diferente. Neste mesmo local onde não avistamos o Arapaçu-Platino, fotografamos o parente dele, Arapaçu de Cerrado (Lepidocolaptes angustirostris). Um casal resolveu posar para nossas lentes. Mesmo não sendo tão famoso ( pelo menos entre nós do grupo), nos fez esquecer de seu primo platino.



Arapaçu-de-Serrado                                                                      Foto André Picoli
      Com as fotos do Arapaçu de Serrado garantidas, e com o tempo nos apertando, tocamos em frente. Entre um Pica Pau do Campo (Colaptes campestris) e outro, alguém avisa,  "Narceja empoleirada na cerca"! Pé no freio, marcha ré e poeira. " Maçarico do campo (Bertramia longicauda)"! Grita o Caio, deu tempo de uma clicada e o bicho voou pra longe. Se assustou com o barulho da porta aberta pelo elemento que aqui vos escreve. Sorte que mais tarde, já no corredor internacional, nome dado a estrada fronteiriça no interior de Aceguá, um casal da espécie nos deixou fotografar na mesma condição.


Marco na fronteira entre Brasil/Uruguai no corredor internacional Aceguá.                             Foto Gabriela Santos


Maçarico-do-Campo                        Foto André Picoli
          Chegamos então ao Banhado da Carpintaria. Foi uma doideira! Era bicho pra tudo que era lado! Clica aqui! Clica ali! Capororoca (Coscoroba coscoroba) dando  bobeira a menos de 10 metros, casal de Maçarico Real ( Theristicus caerulescens) também, Sargento (Angasticus thilius), outro casal desta vez da espécie Viuvinha de Òculos (Hymenops perspicillatus), Bate Bico (Phleocryptes melanops), Sanã Parda (Laterallus melanophaius), várias Saracuras do Banhado (Pardirallus guinsanolentus), um Tricolino (Pseudocolopteryx sclateri) se refrescava do intenso calor que fazia. Ficamos cerca de uma hora, o que foi um crime, esse banhado tem muito potencial, um dia seria pouco. Ali foi um dos hot-spots da saída, agradeço ao Caio ter  nos dado a chance de conhecer o local. Seguimos dali pra Bagé.


Banhado da Carpintaria                                                                                                          Foto Morci Schmidt



Capororoca                                                                                                                        Foto Astor Gabriel


Curicaca-Real                                                                                                                              Foto Alexandre Picoli

Tricolino                           Foto Alexandre Picoli

Viuvinha-de-Òculos macho           Foto Alexandre Picoli

Viuvinha-de-Òculos fêmea                                                                                                             Foto Alexandre Picoli
   
          Como naquela região os pontos a serem visitados eram muitos distantes uns dos outros, como quase tudo por lá, seguimos de Bagé até a fazenda do Caio, Estancia Tarumã, cerca de 40km de distancia, onde seria nosso pouso.
          Chegamos ao local um pouco antes da noite, onde já nos esperava um cordeiro assado, diga-se de passagem estava de lamber os beiços. Fomos apresentados a estancia , lugar muito bem administrado pelo nosso anfitrião e com um potencial enorme para produção de gado de corte e  também o birdwatching. Aproveitando a deixa, parabenizo a administração pela ideia de produzir mas pensando no meio-ambiente, e escrever que, pensando no Sporophila que ali existe, deixou uma faixa de alguns metros próximo a barragem para que o ambiente que este bichinho aprecia fique preservado. Ainda na noite, eu e o Caio, saímos pra tentar o Jacurutu (Bubo virginianus), que pelas redondezas estava vocalizando. Depois de pular alguns cercados, achamos o bicho em uma árvore em plena hora da janta, estava com uma presa nas garras, mas não conseguimos identificar o desafortunado.




Assim nos sentimos na Estancia Tarumã                      Foto Gabriela Santos



Vista da frente da sede da fazenda.                                                                                             Foto Cleberton Bianchini





Jacurutu                                     Foto Alexandre Picoli
  
Pessoal que participou da saída                                                                                                       Foto Gabriela Santos



        Na manhã de domingo, todos em pé bem cedo. Com o café reforçado garantido, seguimos estancia adentro. Entre uma porteira e outra, encontrávamos algumas espécies como, Cochicho (Anumbius annumbi), Buraqueira (Athene cunicularia), Caminheiro de Unha Curta (Anthus furcatus), antes de chegar a barragem da fazenda. Ali ficamos pouco tempo e neste pequeno intervalo foi observado inúmeras espécies: Colhereiro (Platalea ajaja), Batuíruçu (Pluvialis dominica), Batuíra de Coleira (Charadrius collaris), bando de Talha-mares (Rynchops niger), Tachã (Chauna torquata), Curicaca Real (Theristicus caerulescens)  e muitas Capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris).




Barragem da fazenda                                                                                                                 Foto Gabriela Santos

Tour pela estancia Tarumã                                                                                               Foto Gabriela Santos
    

       Dali seguimos até onde os Caboclinhos de Papo Branco (Sporophila palustris) se encontravam. Outro show! Não faço ideia de quanto tempo ficamos por ali, pra mim o tempo parou dali em diante. Eles são demais! Eram 4 casais, um pequeno banhado , aquela  pequena ave e uma imensa  felicidade que nos proporcionaram. Complicado foi deixar o local, mas depois de certo tempo seguimos e mais adiante outros da espécie deram o ar da graça. Oh estancia abençoada!


Banhado onde foi encontrado o Caboclinho-de-Papo-Branco                                                            Foto Gabriela Santos

Foto Morci Schmidt



Caboclinho-de-Papo-Branco              Foto Alexandre Picoli
     



      Seguimos então em direção a sede da fazenda e passando por vários açudes, tentando algo novo, o que seria pedir demais naquela altura. Chegando na sede encontramos outras aves que por ali estavam, enquanto esperávamos o almoço como  o Príncipe (Pyrocephalus rubinus), Arredio (Cranioleuca pyrrhophia), Pomba do Orvalho (Patagioenas maculosa) e o Sabia do Campo (Mimus saturninus). Almoçamos e então nos preparamos para o retorno a Bagé.
Vista parcial da Estancia Tarumã                                                                                                    Foto Gabriela Santos



Sabia-do-Campo                                                           Foto Alexandre Picoli

 Príncipe macho                                                              Foto Alexandre Picoli

Arredio                                                                                     Foto Alexandre Picoli
       




           Chegamos a Chácara das Roseiras por volta das 15h, dali nos despedimos e ainda deu tempo de registrar o Tico Tico do Banhado (Danacospiza albifrons)



Tico-Tico-do-Banhado                                                                                                                 Foto Alexandre Picoli
    


        Tivemos um final de semana muito intenso,  com mais uma região que por causa da observação de aves, tivemos o prazer de conhecer, e com uma grande diversidade de espécies que foram observadas e ou fotografadas. Destaques para os dois Sporophilas e o Maçarico do Campo. A lista das aves observadas na Chácara das Roseiras pode ser conferida aqui e a lista das espécies observadas na Fazenda Taruman pode ser conferida aqui.
         O agradecimento final vai para o amigo Caio Belleza, que nos recebeu e nos guiou pela  bela região de Bagé de uma maneira ímpar. Região esta de  paisagens de perder o folego com horizontes a perder de vista. Salvo se antes houver algum Sporophila! 
         Fico por aqui pessoal! Até a próxima saída que será no Parque Estadual do Tainhas em Jaquirana.

Forte abraço!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Agenda 2018

Janeiro - Dias 13 e 14 - Bagé

Fevereiro - dias 10 e 11 - Parque Estadual de Tainhas

Março - dias 10 e 11 - Margens do Rio Jacuí, local ainda a definir. Possivelmente será realizado próximo a barragem de Santo Amaro.

Abril - dia 08 - Morro Lohmann em Roca Sales. Já realizamos saídas para este local, conforme o relato.

Maio - dias 19 e 20 - Piquiri, interior de Encruzilhada do Sul.

Junho - ainda a definir as datas pois vamos tentar ir junto na saída de Aves Pelágicas da URFGS para Torres. Caso não tenhamos êxito, vamos para o Parque Nacional da Lagoa do Peixe em data a combinar.

Julho - dias 14 ou 15 - Maravalha, no interior de Cruzeiro do Sul e possivelmente até General Câmara.

Agosto - dias 04 e 05 - Marau

Setembro - dias 7, 8 e 9 - Floresta Nacional de São Francisco de Paula

Outubro - dias 13 ou 14 - Tamanduá, Marques de Souza

Outubro/Novembro - entre os dias 31/10 a 04/11 - Parque Estadual do Espinilho

Dezembro - dias 08 e 09 - Fazenda Lagoa do Coração com confraternização de encerramento do ano.



A ideia é intercalar locais dentro e fora dos Vales nas saídas mensais. No entanto, também ocorrerão saídas mais curtas para locais pouco conhecidos e utilizados para a prática de observação na nossa região. Intercalando locais dentro e fora dos vales, conseguimos abranger o máximo possível de locais no Estado, sem deixar de realizar as saídas no nosso quintal.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Coa Vales no Primeiro Encontro de Observadores de Aves Ornithos



Nascer do sol  na Baia de Antonina.                                                                                                         Foto Gabriela Santos



Olá observadores!

         Primeiramente quero agradecer ao Astor Gabriel pelo grande convite que me fizeste. OBRIGADO AMIGO!  Convite este, que consistia em conhecer o maior trecho continuo de Mata Alântica preservada de nosso país, localizado próximo a região litorânea do estado do Paraná, mais especificamente região  de Antonina e Morretes, e também participar do Primeiro Encontro de Observadores de Aves Ornithos. Aqui vai um breve relato do espetacular feriado que passamos, eu, a Gabriela, Morci e Astor naquela abençoada região.
        Partimos do Vale do Taquari na quinta-feira, dia 12 de outubro, bem cedo, por volta das 4:30h da manhã. Seguimos em direção norte, pela BR 116, chegando a Serra da Graciosa já no anoitecer e com chuva, com o pouco que se deu pra ver do local, prometia.
        Ao amanhecer e seguindo nosso cronograma de saídas,  que primeiramente seria observar aves estuarinas  no município de Morretes, e como estávamos hospedados em Antonina, nos deslocamos por mais ou menos 15km  de carro .  Chegando ao local,  antes de embarcarmos, a bicharada já dava as caras. Dois jovens indivíduos da espécie Lavadeira Mascarada ( Fluvicola nengeta), estavam sendo alimentados pelos pais. Era o meu primeiro "lifer"! Embarcamos  e seguimos em direção aos Pirizais.  Os primeiros habitantes a serem vistos foram vários jovens Papa Piris ( Tachuris rubrigastra) em vários pontos do rio, mais adiante um casal de Sargento ( Angelasticus thilius) pousou na nossa frente, permitindo fotos. Seguimos adiante e encontramos um único espécime adulto de Papa Piri, que exibiu todas as suas cores e beleza. O bicho é fenomenal! Também foram avistadas outras espécies como o Bate Bico (Phleocryptes melanops), o Amarelinho do Junco ( Pseudocolopteryx flaviventris), o João Pobre ( Serpophaga nigricans), mas a estrela do dia ainda não tinha dado as caras.  Navegávamos em meio a um labirinto de rios,  com o passar do tempo o calor já ia aumentando,  já se aproximava do meio dia, quando o guia especializado em aves de estuário, Thiago Machado,  resolveu dar a última cartada, já no apagar das luzes, graça a persistência do guia, foi localizado um casal de Bicudinho do Brejo ( Formicivora acutirostris), espécie considerada em perigo de extinção. O casalzinho nos permitiu fazer várias imagens, e com o sentimento de dever cumprido, retornamos bem satisfeitos.


Fêmea de Bicudinho-do-Brejo                                                               Foto Alexandre Picoli


Fêmea de Sargento                                                                    Foto Alexandre Picoli

Lavadeira-Mascarada                          Foto Alexandre Picoli

Jovem Papa-Piri                                                                                                                                    Foto Astor Gabriel

Amarelinho-do-Junco         Foto Alexandre Picoli


Vista dos pirizais em primeiro plano a direita e a serra ao fundo.                                                           Foto Gabriela Santos

Astor atento a qualquer movimento                                 Foto Gabriela Santos
       Com a primeira saída riscada do cronograma, e com sucesso, retornamos a Antonina. Depois do almoço, participamos das palestras do dia e mais tarde tiramos um tempo pra conhecer a cidade e as aves que por ali estavam, como  a Garça Azul ( Egretta caerulea), Bentevizinho de Penacho Vermelho ( Myiozetetes similis) e outros.


Garça-Azul                                                                                             Foto Alexandre Picoli

Bentevizinho-de-Penacho-Vermelho                                Foto Alexandre Picoli

Jovem Garça-Azul                               Foto Alexandre Picoli
    





  No segundo dia, o local escolhido pelos organizadores foi a Serra do Mar, cerca de 20km de Antonina, na divisa com São José dos Pinhais. Fomos guiados pelo Cauã  Meneses, especialista em aves de altitude. O ambiente era muito parecido com a região alta do Vale do Taquari, porém com algumas espécies diferentes. De cara a avistamos a Saíra Lagarta ( Tangara desmaresti). Entre algumas vocalizações conhecidas se escutava algo novo, imagens foram poucas. Já ao final da trilha, a viração nos pegou, diminuindo ainda mais as chances de fotos, no entanto alguns registros ainda foram feitos. Então nos encaminhamos de volta a van que nos levou ao local de origem.

Saíra-Lagarta                                                                      Foto Morci Schmidt

Viração violenta                                                                                                                                   Foto Gabriela Santos

Beija-Flor-Rubi                                                                            Foto Alexandre Picoli

Turma que participou da saída                                                                                                           Foto Gabriela Santos

Cuiú-Cuiú                   Foto Alexandre Picoli
   Na parte da tarde participamos de algumas palestras e após resolvemos ir até a região onde fica o balneário da cidade, Ponta da Pita, onde observamos algumas aves que por ali estavam, como o Savacu de Coroa ( Nyctanassa violacea) que era novidade para todos. E o segundo dia assim foi concluído, várias espécies, paisagens e pessoas novas foram conhecidos


Savacu de Coroa                                                                     Foto Alexandre Picoli        

Ponta da Pita                                                                                                                                 Fotógrafo  desconhecido
 

         Com o tempo não colaborando muito, ao amanhecer do terceiro dia nos deslocamos de van ao local da observação, que seguindo o cronograma seria Matas de Baixada. O local escolhido desta vez foi uma vila de colaboradores de uma antiga companhia de eletrificação, fincada no meio da Floresta Ombrófila Densa. Neste local, além de algumas residencias, se localiza a sede da Ornithos e uma pousada. O lugar é espetacular, eu moraria facilmente por lá. Era ave pra tudo que era lado, foi como um sonho. Nem sabia o que focar! Aves desconhecidas aqui e ali, foi uma correria. O Teque-Teque (Todirostrum poliacephalum) pulava de galho em galho, o Gritador  (Siryster sibilator)  cantava no alto de uma árvore, o Benteví Pirata ( Legatus leucophaius) também deu as caras , um bando enorme de Jacuaçú ( Penelope obscura) ficou a metros do pessoal, isso antes de adentrar a trilha.



Teque- Teque                           Foto Alexandre Picoli

Jacuaçú                                                                                Foto Alexandre Picoli

Gritador                                                                                 Foto Astor Gabriel
    

      Nos deslocamos para trilha, fomos guiados pelo João Arthur Scremim. Já de início apareceu o Pula Pula Ribeirinho ( Myiothlypis rivularis), junto com ele infelizmente a chuva. Fico imaginando aquele local em um belo dia de sol. Na trilha, quase tudo que cantava ou aparecia era novidade, espécies como, Borralhara ( Mackenziaena severa), Beija flor Rajado ( Ramphodon naevius), Tico Tico do Mato ( Arremon semitorquatus) sem chance pra fotos, Capitão de Saíra (Attila rufus), Papa Formiga de Grota (Myrmoderus aquamosus), Miudinho ( Myiornis auricularis), uma infinidade de cores, tamanhos e cantos, o que nos deixava boquiabertos. Extasiados, mas um pouco frustrados pela condição de luz por conta do mau tempo. O que nos força a um dia voltar ao local. Com as horas passando rápido, como em todas saídas a campo, se aproximava do meio-dia, e não querendo voltar, nos deslocamos a Antonina. Na memória vou guardar este grande dia pro resto de minha vida, uma verdadeira overdose ornitológica.
Beija-Flor-Rajado                                                 Foto Alexandre Picoli
Pessoal que participou da saída Matas de Baixada                                                                                   Foto Gabriela Santos
 

A hora da ação.                                                  Foto Gabriela Santos

Borralhara                                      Foto Alexandre Picoli

Miudinho                                           Foto Morci Schmidt

Papa-Taoca-do-Sul Fêmea                              Foto Alexandre Picoli
   Já no almoço de domingo, pensava eu nos objetivos da viagem, e como se tratava do último dia, me dei conta que não tinha fotografado Saíras, que pra mim era o grande objetivo. Como tínhamos a tarde livre, resolvemos ir a Morretes, onde pegamos o mesmo caminho que do primeiro dia. Pura sorte!   De carro pela beira do rio Nhundiaquara, nos deparamos com uma cena pra lá de especial, que me fez atingir meu grande ojetivo.  A beira da estrada, um corredor de árvores de médio porte, Marianeira ou Fruta-do-Sabiá ( Acnistus arborescens), Saíras-Militares (Tangara cyanocephala) e Sete-Cores ( Tangara seledon), Tiê-Galo (Lanio cristatus), Viuvinha (Colonia colonus), Garrinchão- de-Bico-Grande ( Cantorchilus longirostris), Gaturamo-verdadeiro ( Euphonia violacea) .....Ufa......Quantas cores! Agora sim, o final de semana estava completo e poderíamos ir embora tranquilos. Apesar do dia cinzento, sempre lembrarei deste local como multicolorido, isso tudo pelas belas aves que ali habitam, não importando o tempo.
Saíra-Sete-Cores                                                                                                                                Foto Alexandre Picoli

Capitão-de-Saíra      Foto Alexandre Picoli

Saíra-Militar                                                                                                                                      Foto Alexandre Picoli

Tiê-Galo                                                                                                                                                 Foto Alexandre Picoli 

Gaturamo-Verdadeiro                           Foto Alexandre Picoli

Garrinção-de-Bico-Grande                   Foto Alexandre Picoli


Viuvinha                                                                                                                                                     Foto Astor Gabriel
       

           Já na segunda -feira,  nos encaminhamos cedo da manhã. Subimos a Graciosa devagar e fotografando. Chuva, chuvisqueiro, neblina e pássaros, muitos pássaros. Chegamos ao final da serra por volta das 10:30h, então retornamos ao Rio Grande via BR 101.

  No topo da Graciosa o sol predominava

Pórtico de entrada da Serra da Graciosa 


        O  feriado foi sensacional, e novamente agradeço ao convite do Astor e da companhia dele e do Morci. 
         Esses quatro dias me fizeram pensar e voltar ao passado, a mais ou menos uns seis anos, onde observávamos eu e a Gabriela aquela minúscula ave no alto de uma figueira, em que, mais tarde, depois de pesquisar, fiquei sabendo seu nome. Era uma Mariquita!  E por consequência o Birdwatching. Bendita Mariquita! Após seis anos, quantos lugares e pessoas fenomenais que conheci, lugares estes como a Serra da Graciosa e dos amigos Astor e Morci. E muitos outros belos lugares e pessoas de bem que certamente estamos por conhecer.
          Que seja o primeiro de muitos encontros de observadores! E aproveitando para parabenizar a iniciativa da Ornithos por organizar este belo evento.
          Fico por aqui! Espero que tenham gostado. ATÉ BREVE!   


Selfie com a galera do Coa Vales