sábado, 16 de setembro de 2017

Exposição de fotos do Coa Vales no primeiro encontro do amor animal - Agrovida

O futura se encontra na nova geração
Foto Gabriela Santos
                            
                              10 de setembro de 2017


         O Coa Vales foi convidado a participar, no último domingo ( dia 10/09 )  com sua exposição itinerante de fotos. O evento do qual participamos foi o Primeiro Encontro do Amor Animal - Agrovida, na cidade de Arroio do Meio. As fotos foram expostas na rua coberta onde ocorreu o evento. Houve bastante interesse por parte do público, que se mostrou curioso sobre o assunto. Diversas perguntas, curiosidades e histórias, por eles contadas, envolvendo os emplumados. Realizamos um "corpo a corpo" com as pessoas interessadas, falamos um pouco sobre a prática de observação de aves, ambientes e locais que procuramos para observar, da oportunidade de aliar a conservação/preservação de ambientes naturais com a geração de renda com o turismo de observação de aves. Falamos também sobre as espécies de aves que se encontram perto de nós, nos quintais de nossas casas, nas praças e parques da cidade. Comentamos ainda, que, aprisionar animais silvestres é crime sujeito a punições. Aos mais interessados, também discutimos um pouco sobre a importância do cidadão cientista, ou da ciência cidadã. Em que cidadãos comuns auxiliam pesquisadores na obtenção de dados. Bem, a conversa rolou solta, hehehe. Por várias vezes fomos elogiados pela iniciativa. Ao interagir com o público ficou claro que  os pássaros fazem parte de nosso cotidiano, bem mais que achamos, o dia a dia fica bem mais alegre com suas cores e cantos.
                 
             Agradecemos  AGROVIDA  pelo convite.



Interagindo com o público
Foto Gabriela Santos
Exposição feito varal, para os passarinhos ficarem livres ao vento. Fotografia de Cleberton Bianchini

         

Observação de aves em Tamanduá, Marques de Souza.

Olá observadores!

Grupo que participou da saída
Foto de Gabriela Santos

         03 de setembro de 2017

       Tentando manter o revezamento de uma saída por mês em cada região, seguimos dando sequência a isso, observando agora no Vale do Taquari, município escolhido desta vez foi Marques de Souza, no distrito de Tamanduá. Local este com encostas montanhosas de vegetação com vários estágios de regeneração, as margens do arroio que leva o mesmo nome.
       Chegamos  ao nascer do sol, por volta das 6:30 horas, onde já nos aguardava o pessoal vindo de Arroio do Meio, Morci, Astor e Tiago, esse último participando pela primeira vez de nossas saídas. Seja bem vindo! Juntando-se a eles  no local eu, meu irmão André, Cleberton e minha mulher Gabriela.                                                                                                                                                             Ao mesmo tempo em que dávamos  boas vindas ao novo integrante escutávamos a bicharada que já estava bem ativa. Várias espécies vocalizavam, dentre elas o Platyrinchus mystaceus  ( Patinho), Myiopagis viricata ( Guaracava de Crista Alaranjada), Chamaeza campanisona ( Tovaca Campanhia), a recém avistada na região Chamaeza ruficauda ( Tovaca de Rabo Vermelho) entre outras. Os primeiros minutos já nos davam uma dica de como seria a manhã, onde os ouvidos seriam nossa principal ferramenta de reconhecimento de espécies. Com o passar dos minutos, a claridade ia aumentando, junto com ela a esperança de alguns registros fotográficos. Como todo passarinheiro bem sabe, fotografar em meio a mata não é tão fácil assim, a falta de luz e o ambiente não colaboram.
        Seguimos pela estrada geral por alguns metros , observando algumas espécies que por ali se apresentavam como Tachyphonus coronatus ( Tiê Preto), Turdus albicollis  ( Sabiá Coleira), Schiffornis virescens  (Flautim), entre uma ave e outra que mais se escutava do que enxergava, aguçando ainda mais nossa audição,  foi quando ao longe se escutou o tão aguardado novo registro para o Vale do Taquari,  com registro apenas  para o Vale do Rio Pardo e se sabia da possível ocorrência na região, o que era questão de tempo. Grallaria varia ( Tovacuçú)! Alegria imensa entre o grupo, mas sabíamos que um registro fotográfico seria quase impossível, mas o sonoro não. Ledo engano, o equipamento de gravação estava com a bateria descarregada.



Guaracava de Crista Alaranjada
Foto Alexandre Picoli

Flautim
Foto Alexandre Picoli

      Voltamos então ao local de nossa chegada, e nos encaminhamos para o início da trilha ( estrada abandonada de uma antiga moradia), seguimos sob mata fechada até  chegar a uma antiga propriedade. Onde um   Lochmias nematura ( João Porca) vocalizava  a beira de um riacho,  Euphonia chalybea (Cais Cais) e o  Pyrrhocoma ruficeps   (Cabecinha Castanha) deram o ar da graça, um  Heliobletus contaminatus (Trepadorzinho) pulava de galho em galho em uma Pitangueira, isso nos deixou bem alegres, outra espécie observada pela primeira vez no Vale do Taquari. A estrada na sequência apresentava em suas margens mata em regeneração com muita capoeira o que se estendeu por centenas de metros onde várias espécies de aves que apreciam este tipo de ambiente, Synallaxis ruficapilla  ( Pichororé), Poecilotriccus plumbeiceps (Tororó), Comptostoma obsoletum (Risadinha),   Drymophila malura ( Choquinha Carijó).
      
Cabecinha Castanha
Foto de Morci  Schmidt
            

Limpa Folha de Testa Baia
Foto de Morci Schmidt

     Chegamos então a outra parte com um pouco mais de mata, onde o Astor e o Morci já observavam um casal de Leptopogon amaurocephalus  (Cabeçudo) supostamente em plena construção de ninho, estavam colhendo material para tal. Neste mesmo local encontramos um único indivíduo  de Turdus Flavipes  (Sabiá Una) macho, espécie que foi avistada a não muito tempo atrás pela primeira vez na região. Um pouco mais a frente o Cleberton apanhava de um Scytalopus speluncae  (Tapaculo Preto). Como já se passava da metade da manhã decidimos então retornar.                 
                                                            Cabeçudo                                                                                                            
    Foto de Alexandre Picoli                               
     

Pula Pula Assobiador
Foto Alexandre Picoli



Sabiá Una
Foto Alexandre Picoli
     No retorno pela mesma trilha outras espécies foram escutadas, Cyanoloxia  brissonii (Azulão),  Lathrotriccus euleri ( Enferrujado), Batara cinerea (Matracão), Mackenziaena leachii ( Borralhara Assobiadora) e para alegria de todos um casal de Ouriço resolveu fazer pose para todos do grupo e nos permitiu fazer fotos.

 
Ouriço    
          A manhã foi bem agradável, apesar de pouco tempo de observação, teve uma boa quantidade de espécies registradas, que pode ser vista aqui. Os destaques foram o casal de Trepadorzinho e o Tovacuçu, este último escutado em, no mínimo, dois locais diferentes, que foram acrescentados a lista do Vale do Taquari.  Além de tudo isso o mais importante, aquele momento de contato intenso com a natureza e suas belezas, o que nos deixou de baterias carregadas para aguentar uma semana de trabalho que logo se iniciaria. Fico por aqui, espero que tenham gostado do relato. 
             
          Até mais!

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Lagoa do Coração - Rio Pardo/RS

         A Lagoa do Coração encontra-se situada no município de Rio Pardo-RS. A lagoa situa-se às margens do Rio Jacuí, dentro de uma fazenda. A sede da fazenda está a 12,3 km do asfalto que liga Rio Pardo a Pantano Grande, e a 17 km do trevo de acesso principal a cidade de Rio Pardo.

Foto 1: Árvore solitária no campo. Fotografia de Alexandre picoli.

Foto 2: Nascer do solo no açude próximo a sede da fazenda. Fotografia de Cleberton Bianchini

Foto 3: Nascer do sol próximo a sede da fazenda. Fotografia de Gabriela Santos.

Foto 4: Diversas flores encontradas pelo campo na primavera. Fotografia de Cleberton Bianchini.

Foto 5: Diversas flores encontradas pelo campo na primavera. Fotografia de Cleberton Bianchini.
       Os ambientes encontrados no local são variados, possuindo áreas com campos, espaços com pequenos banhados, áreas com pastagem para gado, áreas de mato na margem do Rio Jacuí e também das lagoas, além dos ambientes aquáticos das lagoas. As trilhas ou caminhos são diversos, ficando a cargo de cada observador escolher o ambiente que deseja percorrer.
Figura 5: Pequeno banhado dentro do campo. Fotografia de Cleberton Bianchini.

Figura 6: Borda de mato próximo a lagoa. Fotografia de Cleberton Bianchini.

Figura 7: Entrada do mato na trilha que leva até próximo ao rio. Fotografia de Cleberton Bianchini.

Figura 8: Vista geral do campo com pequeno banhado ao fundo. Fotografia de Cleberton Bianchini.

Figura 9: Exemplar arbóreo de porte elevado. Fotografia de Samuel Oliveira.

     O local possui infraestrutura que poderá ser disponibilizada, ou não, para o visitante. A propriedade é particular, e sempre que houver interesse de visitar o local deve-se realizar contato prévio com o proprietário solicitando autorização para acesso. A fazenda possui casa de hóspedes que talvez poderá ser utilizada mediante contato prévio com o proprietário.
Figura 10: Vista geral da frente da casa principal. Fotografia de Gabriela Santos.
          As espécies de aves que merecem destaque neste local são a Cistothorus platensis (corruira do campo). Sendo que na primeira saída avistamos somente um indivíduo, mas na segunda avistamos diversos indivíduos e em diferentes pontos. Também foram avistados o Campylorhamphus falcularius (arapaçu de bico torto), Amaurospiza moesta (negrinho do mato), Chamaeza campanisona (tovaca campainha), Carpornis cucullata (corocochó), Nyctidromus albicollis ( bacurau), entre outras tantas espécies. Também a registro do Crotophaga major (anu corroca) no trabalho do Accordi e Barcellos (2006), mas que até agora não foi encontrado.
Figura 11: Campylorhamphus falcularius (arapaçu de bico torto). Fotografia de Cleberton Bianchini.

Figura 12: Carpornis cucullata (corocochó). Fotografia Cleberton Bianchini

Figura 13: Cistothorus platensis (corruira do campo). Fotografia de Cleberton Bianchini


           O local local é muito bonito e excepcionalmente atrativo para observadores de aves. O Coa Vales realizou duas saídas para este local, e a lista de espécies sempre foi maior que 100 espécies em ambas as vezes. A primeira saída pode ser conferida aqui e a segunda aqui

Sintam-se convidados em participar na próxima saída que faremos para lá

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Observação de aves na Fazenda Lagoa do Coração



Vista parcial da fazenda                                                                                                                 Foto de Alexandre Picoli




   

  Bom caros observadores!  A tempos que meu grande amigo Cleberton, sugeriu da possibilidade de que eu  assumisse a bronca aqui com os relatos de nossas saídas a campo. O que pra mim seria um grande desafio, e por isso de início relutei.   Bom......desafio aceito!  Agora vamos ao que interessa!
        Começamos o mês de agosto com um final de semana pra lá de especial. Pegamos a estrada rumo ao município de Rio Pardo, mais precisamente Fazenda  Lagoa do Coração. Por lá encontrando-se com o pessoal de Encruzilhada do Sul, João Santos e Rodrigo Azambuja, e participando pela primeira vez de nossas saídas Caio Belleza vindo de Bagé, assim como Cristina, que veio de lajeado com  Cleberton Bianchini e Ricardo Lau, que passando por Santa Cruz  pegaram o Samuel Oliveira, que os aguardava. Juntando-se ao grupo mais tarde, eu Alexandre Picoli, Gabriela Santos e meu irmão André Picoli, vindos de Cruzeiro do Sul.


Da esquerda para direita: Caio, Rodrigo, Cleberton, André, Alexandre, Ricardo, Cristina, João, Samuel e Gabriela.


        Com os amigos nos esperando na sede da fazenda, o Cleberton nos aguardava na entrada principal. Antes disso, já anoitecendo, a observação já se iniciava durante o trajeto, vários indivíduos da espécie Nyctidromus albicollis ( Bacurau) se apresentaram a beira da estrada, possibilitando fotos.



Nyctidromus albicollis  ( bacurau)                       Foto de Alexandre Picoli
         Chegando no local do encontro,  e já cheios de ansiedade para a tão aguardada corujada, saímos por volta das 19:30h em direção a lagoa. A noite se apresentava clara, devido a linda lua cheia, costeamos a mata em direção  norte, onde vocalizavam algumas Megascops choliba ( corujinha do mato). Não sei quanto a vocês , mas para mim corujas são demooooois!  Atraída pela reprodução de playback, um indivíduo da espécie se aproximou, possibilitando que todos conseguissem fotografar. Tocamos em frente, tentamos atrair outras espécies, sem muito sucesso. Ao longe se escutava um Nyctidromus albicollis ( bacurau) soltando a voz. Já no caminho de volta encontramos um casal de Hydropsalis torquata ( bacurau tesoura), espécie de bacurau mais comum na região dos vales. O macho assim que nos viu alçou voo pra longe, mas a fêmea não, nos permitindo bastante aproximação, sem se importar muito.
           Quando fazemos algo que gostamos, como no caso da observação de aves, o tempo passa voando, literalmente. Já no relógio marcava 22:45h , então fomos em direção a sede, onde mais tarde a janta ficaria por conta do pessoal de Encruzilhada, churrasco com direito a linguiça campeira e aquela carne de patrão, assim acostumando  mal o pessoal mais ao norte da região dos vales. Saciamos a fome enquanto os assuntos ( aves é claro) eram colocados em dia, após nos recolhemos, pois o dia de domingo prometia.
Megascops choliba ( Corujinha do Mato)
Foto de Alexandre Picoli

Hidropsalis  torquata ( Bacurau Tesoura- Fêmea)
Foto de Alexandre Picoli
Carne de Patrão                    Foto de Rodrigo Azambuja
Confraternização obs: O esbranquiçado da foto é fumaça mesmo.
Foto de Rodrigo Azambuja


       No domingo pela manhã, todos de pé cedinho. A noite durante a corujada, estávamos receosos quanto a possibilidade de densa neblina, o que felizmente por sorte não se confirmou. Acabou é sendo uma espetacular e linda manhã, especial para fotografar. O sol no horizonte nos dava boas vindas anunciando um grande dia.
Amanhecer do dia imagem 1            Foto de Cleberton Bianchini

Amanhecer do dia    Imagem 2                                                                                                             Foto de Gabriela   Santos                    
         
        Foi quando saímos atrás da bicharada, que logo de cara foram se apresentando. Ao lado da sede, juntos com aves mais comuns, vocalizava uma Xolmis cinerea  (primavera), ave que habita campos abertos, pronuncio do que viria em seguida. O Cairina moschata ( Pato do Mato) já iniciava seu dia sobrevoando o local. Seguimos em direção a primeira lagoa, vários Galligula chloropus ( Frango dágua comum), Jacana jacana  (Jaçanã) e um casal de Podilympus podiceps  ( Mergulhão Caçador) chamaram nossa atenção, observamos que o casal de mergulhão havia nidificado as margens da lagoa. Enquanto os registrávamos com foto, escutei ao longe um som que para mim era desconhecido, e quando isso acontece, me deixa ao mesmo tempo atento quanto feliz, pois isso é uma grande oportunidade de se conhecer uma espécie diferente. E foi o que aconteceu. Não há nada melhor do que a sensação de se observar uma espécie pela primeira vez.
         A estrela do dia! Alguns do grupo já haviam registrado a espécie em outra oportunidade. Já eu o André e o Caio não. Então foi uma festa! Cistothorus platensis  ( Corruíra do campo)! Deu um show! Cantando empoleirada em galhos logo acima da vegetação do banhado, posição perfeita para excelentes fotos e até vídeo. Não é Caio Belleza? Neste mesmo instante , alguém avisa. "Tem um Geranoaetus albicaudatus  ( Gavião de Rabo Branco) no eucalipto"!  O que para mim também era novidade fotográfica, pois sempre que o vejo, é voando, pousado é bem mais difícil. Não pensei duas vezes, continuei clicando a  Corruíra, pois foi ela o motivo pelo meu deslocamento de Cruzeiro a Rio Pardo. Neste mesmo banhado registramos o Emberizoides herbicola  ( Canário do Campo), dupla felicidade , outra novidade.
 

Emberizoides herbicola (Canário do Campo)
Foto de Alexandre Picoli                               


Podilymbus podiceps ( Mergulhão Caçador)
Foto de Alexandre Picoli                            




             Seguimos dando continuidade a passarinhada, o local era exuberante, coxilhas cobertas de campos, onde ovelhas e cordeirinhos pastavam tranquilamente.    Passando a primeira coxilha encontramos o segundo banhado, esse mais seco, não havia  lagoa no local, o Samuel e o Cleberton já observavam algo. Outra Cistothorus platensis ( Corruíra do Campo).  Ali foi o local onde ela nos deu o maior mole, posava de tudo quanto era jeito, a menos de três metros do grupo, que ensandecidos clicavam sem parar.      

                     
Cistothorus platensis ( Corruíra do Campo)
Foto de Alexandre Picoli                             
Local do registro da Corruíra do Campo
Foto de Gabriela Santos                         
     

          Já na beira da lagoa, paramos para tirar uma foto do grupo, várias espécies vocalizavam: Aramus guarauna ( Carão), Pardirallus sanguinolentus ( Saracura do Banhado), Aramides ypecaha (Saracuruçu), o Cairina moschata ( Pato do Mato) alçou voo da outra margem, Anhinga anhinga         ( Biguatinga), sobrevoava o local bem no alto, Paroaria coronata ( Cardeal) cantavam na copa das árvores, junto a eles estavam alguns da espécie  Paroaria capitata ( Cavalaria), alguém avistou que empoleirado do outro lado do campo havia um Heterospizias meridionalis ( Gavião Caboclo) só na espreita. Ao longo da margem , a mata nos apresentava outras aves:  Trogon surrucura (Surucuá Variado), Cranioleuca obsoleta ( Arredio oliváceo), Saltator similis ( Trinca Ferro Verdadeiro), Coereba flaveola ( Cambacica), Phylloscartes ventralis ( Borboletinha do Mato), Turdus albicollis  (Sabiá coleira) entre outros.
         Nesse momento, o grupo meio que se desencontrou , pois cada um estava com objetivos de registros diferentes. A expectativa era grande, existia a possibilidade de se encontrar o  Crotophaga major ( Anu Coroca), supostamente escutado na primeira vez que o grupo visitou o local, mas infelizmente não se confirmou. Nos encontramos um pouco mais tarde , assim retornamos, já se aproximava do meio-dia. Perguntado ao outro grupo sobre novidades, mas nada de muito diferente  fora avistado.

Imagem da volta                             Foto de Gabriela Santos
           A o meio-dia o João preparou um excelente carreteiro de charque com o Cleberton de auxiliar, enquanto o pessoal confraternizava e jogava conversa fora, momento que é tão importante quanto a observação de aves propriamente dita.
           Após o almoço, descansamos e começamos a se organizar para nossa partida. Enquanto isso a observação não parava , outras espécies foram acrescentadas a lista  da fazenda como: Elaenia flavogaster ( Guaracava de Barriga Amarela)  e o Circus buffoni ( Gavião do Banhado), avistado pelo pessoal sobrevoando o banhado.
As vezes a captura das imagens são outras, ângulos e objetivos diferentes. Como a imagem acima.
Foto de Gabriela Santos 


                                                                                                                                                                                  O final de semana foi sensacional, reencontramos amigos , novas amizades foram feitas , espécies novas foram observadas , algumas comuns, que nem por isso perdem seu encanto, outras mais difíceis de serem observadas, e assim proporcionando imensa felicidade ao grupo, que em comum, compartilha da mesma paixão, que é observar e fotografar aves. Ao mesmo tempo em que nos despedíamos, desejamos ao nosso amigo biólogo Samuel, sucesso e boa sorte em sua nova jornada de estudos, doutorado nos Estados Unidos. Boa sorte amigo!
              Fico por aqui, lembrando que o relato foi descrito por um entusiasta fotógrafo de aves, que pouco ou nada tem de cientifico. 


Até a próxima!


                           Segue a lista das espécies observadas no local.http://ebird.org/ebird/view/checklist/S38516265

sábado, 22 de julho de 2017

Saídas Extras

Buenas amigos

Neste relato colocarei comentários breves sobre duas saídas que realizamos ainda no mês de Julho.

1° Relato:

          Recebemos a notícia de que a Columbina squammata (fogo apagou) fora vista no interior do município de Travesseiro. O amigo Pedro Sessegolo passou pelo antigo desvio do pedágio de Marques de Souza e parou para fazer umas fotos de um bando de Spinus magellanicus (pintassilgo) que estavam a beira da estrada. Neste momento escutou a Columbina squammata (fogo apagou), no entanto, não conseguiu fazer registro por que a mesma encontrava-se dentro de uma propriedade e não teve acesso. Informou-nos do acontecido e resolvemos conferir, na ânsia de encontrá-la aqui no vale do Taquari.
         Combinamos uma saída no domingo, dia 16 de julho, e fomos conferir. Estavam presentes o Alexandre, o André o Astor e este vivente que vos escreve. Chegamos ao local por volta de 7h30min, deixamos os veículos na estrada e começamos a caminhar pela estrada geral. A bicharada estava em alvoroço, prenunciando a virada do tempo.
          A observação foi feita, na maior parte do tempo, de dentro da estrada geral. Somente em dois momentos saímos desta para acessar duas propriedades, que conseguimos conversar com os proprietários para pedir permissão. Na primeira, caminhamos até o Rio Forqueta por um potreiro e pastagens para vacas leiteiras. Conseguimos chegar até a barranca e percebemos que não havia nada na Área de Preservação Permanente - APP além de gramíneas. Encontramos o proprietário e este reclamou que está perdendo áreas de terras para o Rio, quando ocorrem enchentes e inundações. Conversamos um pouco sobre alternativas e opções para tentar diminuir os processos erosivos na margem. Na segunda propriedade, caminhamos na borda da lavoura com um matinho, que alternava entre árvores nativas e exóticas (eucaliptos). Abaixo algumas excelentes fotos da saída, o Picoli é modesto.

Figura 1: Poospiza nigrorufa (Quem te vestiu). Fotografia de Alexandre Picoli.

Figura 2: Lochmias nematura (joão porca). Fotografia de Alexandre Picoli.

Figura 3: Spinus magellanicus (pintassilgo) fêmea. Fotografia de Alexandre Picoli.
Figura 4: Loucusporaves brasilis (cleberton bianchini), indivíduo macho, endêmico do RS. Fotografia de Alexandre Picoli.

        A observação da manhã durou em torno de 3 horas. Felizmente o dia foi muito proveito, observamos várias espécies. Vimos um casal de Cyanoloxia glaucocaerulea (azulinho) dar  show de exibição para fotos. O Lochmias nematura (joão porca) também foi exibicionista. Infelizmente não encontramos a espécie, objetivo da nossa saída, mas valeu a saída com os amigos. A lista completa das espécies observadas durante a manhã pode ser conferida aqui.


 2° Relato

          Desta vez, receberíamos a visita de uns observadores de São Leopoldo, no entanto, houve um imprevisto que não puderam vir. Resolvemos ir igual. Inicialmente, nossa saída de hoje (dia 22 de julho de 2017) estava marcada para acontecer no Morro Gaúcho, entretanto, descobrimos que haveria uma prova de caminhada de montanha e decidimos alterar o local. Optamos por conhecer o Morro do Paraglaider, em Encantado.
            Saímos de lajeado por volta de 6h30min, passamos em Arroio do Meio para Pegar o Morci, e tocamos para o local. Chegamos por volta de 7h e o vento frio cortava. A neblina também estava bem forte. Logo na chegada a bicharada estava bastante elétrica. Para começar o dia bem, o Tyranniscus burmeisteri (piolhinho chiador) veio nos receber e dar as boas vindas. É estranho pensar que não encontrávamos esta espécie até bem pouco tempo atrás, mas desde a saída para Vespasiano Côrrea, ela tem aparecido com frequência. Percebemos que os fulanos gostam da copa das árvores, pois sempre se encontram neste estrato. Da mesma forma, percebemos, em todas as vezes que avistamos a espécie, que sempre havia somente um indivíduo. Vamos acompanhando.
          Continuamos subindo o morro e a bicharada continuava ativa. Estávamos em local com plantação de eucalipto alternada com espaços com vegetação nativa. Em alguns pontos o eucalipto estava velho e o sub bosque estava bem formado. A medida que subíamos, a vegetação ficava mais bonita e não havia mais eucaliptos. No entanto, a medida que subíamos aumentava o vento e também a neblina.
            Chegamos ao topo com muito vento e uma densa neblina. Fomos nos mirantes, mas não conseguimos ver nada além de uma densa cortina de neblina. No entanto, o Stephanophorus diadematus (sanhaço frade) apareceu para nos encher de alegria e colorir nossos olhos. Lembramos que esta espécie é bem característica de área de altitude aqui no Vale do Taquari. Sempre que avistamos esta espécie, era em local elevado. Avistamos ela no topo do Morro Gaúcho em Arroio do Meio, no alto da trilha da Lagoa da Harmonia em Teutônia, na parte mais alta do Morro Lohmann em Roca Sales, e agora no topo do Morro do Paraglaider em Encantado.
            Depois disso, ainda caminhamos pelo topo até a outra face do morro. Avistamos o Carpornis cucullata (corocoxó), mais uma dupla de Stephanophorus diadematus (sanhaço frade), uma Drymophila malura (choquinha carijó) cantava logo abaixo e um Micrastur ruficollis (falcão caburé) se esguelava não muito longe de onde estávamos. Na descida, ainda avistamos novamente o Tyranniscus burmeisteri (piolhinho chiador) no mesmo local. Também avistamos uma bando, de aproximadamente 10 indivíduos, de Hemithraupis guira (saíra de papo preto).
Figura 5: Tyranniscus burmeisteri (piolhinho chiador). Fotografia de Alexandre Picoli
Figura 6: Xiphorhynchus fuscus (arapaçu rajado). Fotografia de Alexandre Picoli.

Figura 7: Manhã com um pouco de neblina, hehehe. Fotografia de Morci Schmidt.

           A saída foi bacana por que conhecemos mais um local com boas possibilidades de observação. O acesso é facilitado e não é muito longe, além de apresentar uma boa área de vegetação em boas condições. A lista completa das espécies que avistamos pode ser conferida aqui.

 A próxima saída será para o Vale do Rio Pardo, na Fazenda Lagoa do Coração, no município de Rio Pardo. O local é muito bacana e já realizamos uma saída ano passado para lá. O dia foi memorável. Mais informações podem ser obtidas no evento do Facebook.

Abraço
Até lá

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Observação de aves no Cerro Botucaraí - Candelária

        Buenas amigos
        
        Depois de algumas tentativas frustradas em virtude das chuvas, eis que conseguimos conhecer o Cerro Botucaraí, em Candelária. A saída ocorreu no dia 9 de julho de 2017.
        Saímos de Lajeado cedinho, enquanto o pessoal de Encruzilhada do Sul fazia o mesmo. No encontramos no trevo de acesso a Santa Cruz do Sul, por volta das 6h da manhã e seguimos para o local. Logo no encontro, sabíamos que o dia seria muito legal, por rever os amigos de longe e também fazer novos amigos (uma das melhores coisas da vida). Ao todo, estávamos em 10 participantes, sendo eles o Astor, Ricardo, Samuel, Alexandre, Gabriela, Rodrigo, João, Thiago, Viviane e Cleberton.
           Chegamos ao local, pontualmente às 7h da manhã. Ainda estava escuro. Mas as abelhas africanas não estavam nem aí, já trabalhavam a todo o vapor nas flores dos eucaliptos. Os mosquitos parecia que estavam a vários dias sem alimentação, pensei que precisaria de uma transfusão de sangue. Nos minutos seguintes, comemos algo, espantamos os mosquitos, conversamos um pouco, espantamos os mosquitos, olhamos para o céu e a copa das árvores, espantamos os mosquitos e por aí foi. O local estava muito quieto, nenhum pássaro vocalizando. Vasculhamos novamente os eucaliptos e encontramos uma ave, parecia estar comendo os bichinhos voadores que davam por ali. Tentamos identificar, mas não conseguíamos por causa do escuro. Ela seguia fazendo acrobacias e capturando presas no ar. De repente, alguém identifica o mistério. Era um Glaucidium brasilianum (caburé). Então o alvoroço tomou conta da galera. Muitos nunca haviam visto a espécie antes. Ele é demais, silencioso e certeiro. Parecia esconder o pescoço, aparentando estar sempre de costas para os observadores (baita malandro). Voou de um lado e outro, deu umas conferidas e depois sumiu, não sendo mais visto o dia todo. Confesso que pela fama de predador voraz, esperava um porte maior, hehehe. 
Figura 1: Glaucidium brasilianum (caburé). Fotografia de Cleberton Bianchini.
         Começamos bem o dia, com uma baita recepção.
         Depois que o Glaucidium brasilianum (caburé) saiu, a bicharada "deu as caras". Começaram a cantar muito e de todos os lados. Ficamos observando pro ali durante alguns minutos para ver o que ia aparecendo. Por ali apareceram alguns Turdus rufiventris (sabiás laranjeira), bandos de Pyrrhura frontalis (tiribas), Myiothlypis leucoblephara (pula pula assobiador), entre outros.
Foto 2: Pyrrhura frontalis (tiribas). Fotografia de Astor Gabriel.
Figura 3: Caminhada no início da manhã. Fotografia de Astor Gabriel.
         Depois de uma caminhada pela estrada, resolvemos voltar e subir o cerro. Na volta ainda escutamos alguns indivíduos de Triclaria malachitacea (sabiá cica). No início da trilha, encontramos diversas espécies na borda da mata, entre elas Coryphospingus cucullatus (tico tico rei), Trichothraupis melanops (tiê de topete), Conopophaga lineata (chupa dente), Dysithamnus mentalis (choquinha lisa), entre outros. 
            Iniciamos a subida e a quantidade de espécies foi diminuindo. A subida é bastante íngreme e com muitas pedras soltas e raízes aparecendo, dificultando bastante o trajeto. A ausência de uma trilha específica faz com que as pessoas busquem alternativas para subir, isso aumenta o tamanho da trilha. Também contribui para que a vegetação, sub bosque, não cresça, contribuindo para a instalação de processos erosivos no local, devido as chuvas.
Figura 4: Vista geral do início da subida. Fotografia de Cleberton Bianchini.

            Vencida a subida, apreciamos a vista por alguns momentos. Afinal, nem só de passarinho é feita uma saída de observação.
Figura 5: Vista da face noroeste. Fotografia de Cleberton Bianchini.
Figura 6: Vista da face noroeste com sentido para o oeste. Fotografia de Cleberton Bianchini.

Figura 7: Vista da face norte, com sentido para oeste. Fotografia de Cleberton Bianchini.
Figura 8: Vista da face noroeste com sentido para o sudoeste. Fotografica de Cleberton Bianchini

Figura 9: Vista da face leste, com sentido para o sudeste. Fotografia de Cleberton Bianchini.
         Na descida a atenção foi redobrada, para evitar acidentes. Chegamos na base e ficamos observando por lá. Avistamos diversas espécies, dentre elas a Hemithraupis guira (saíra de papo preto), Turdus albicollis (sabiá coleira), Picumnus temminckii (pica pau anão de coleira). Para nossa sorte e espanto, apareceu também o Tyranniscus burmeisteri (piolhinho chiador).
Figura 10: Observando na estradinha na base do cerro. Fotografia de Cleberton Bianchini.

Figura 11: Observando na base do Cerro. Fotografia de Astor Gabriel.
            Ficamos mais um pouco na base do Cerro e resolvemos seguir para as várzeas do Rio. Entretanto, a várzea não parecia muito promissora, visto que era bastante antropizada. Resolvemos ir a Santa Cruz do Sul, em uma área de mato que já havíamos visitado antes. A lista do Cerro Botucaraí pode ser conferida aqui.
         Chegamos em Santa Cruz do Sul por volta de 14h. Deixamos os carros na estrada e seguimos para o interior do mato. O local apresenta um bom fragmento de vegetação. Foi utilizado pelo Samuel para realização de levantamento no trabalho de conclusão de curso.
          Logo de chegada o Schiffornis virescens (flautin) se apresentou para o pessoal de Encruzilhada. O fulano canta muito, é bastante curioso e fica enlouquecido quando coloca-se playback (cuidar para não exagerar). Seguimos pela trilha e apareceram mais algumas espécies, dentre elas pode-se citar a fêmea de um Tachyphonus coronatus (tiê preto), Habia rubica (tiê de bando), Chamaeza ruficauda (tovaca de rabo vermelho), Leptotila rufaxilla (juriti gemedeira), entre outras.
            O cansaço começou a pegar no pessoal e fomos voltando. No retorno da trilha percebemos que o céu havia ficado um pouco mais escuro. Continuamos e o céu foi ficando ainda mais escuro. Já no final da trilha, começou a garoar. Quando terminamos de acertar as tralhas nos carros a chuva caiu de gosto, pra coroar o final da saída. A lista completa das espécies avistadas em Santa Cruz do Sul pode ser conferida aqui.

          O dia foi muito bom, além dos passarinhos também conhecemos um lugar novo, fizemos novos amigos e revemos os velhos. Os destaques do dia ficam por conta do encontro com o Glaucidium brasilianum (caburé) logo na chegada, dos Triclaria malachitacea (sabiá cica) e do achado do Tyranniscus burmeisteri (piolhinho chiador). Reforçamos a ideia de que o esforço é recompensado, pois a subida não foi fácil, mas ganhamos a recompensa da bela vista do topo.

Muito obrigado pela companhia amigos, até a próxima.