domingo, 29 de maio de 2016

Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos


PIACENTINI, Vítor de Q. et al. Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee/Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro deRegistros Ornitológicos. Revista Brasileira de Ornitologia-Brazilian Journal of Ornithology, v. 23, n. 2, p. 90-298, 2015.

domingo, 15 de maio de 2016

Glogal Big Day e Observação de Aves em Santa Cruz do Sul

        Mais um dia de diversão e observação de aves, mas para nós, as duas coisas podem ser uma só. Nossa intenção, além de nos divertir, era contribuir para o sucesso de um evento Mundial de observação de aves. O Global Big Day é organizado pelo The Cornel Lab, ocorre semestralmente e cada vez mais possui adesão de observadores de aves ao redor do mundo.
         Acordamos cedinho, preparamos aquele mate e seguimos para Santa Cruz do Sul. Desta vez havíamos planejado dois lugares para visitar. O primeiro foi o espaço Vida Nova e depois uma área localizada próximo ao Rio Pardinho, ambos em Santa Cruz do Sul.
          O espaço Vida Nova apresenta um total de 22 hectares, compreendidos entre as áreas das construções e o mato. As construções datam de 1889 e já foram utilizadas para diversos fins. O mato apresenta diversas espécies da flora  da Mata Atlântica, tendo muitos exemplares do palmito juçara (Euterpe edulis) e outras exóticas como os eucaliptos. O espaço Vida Nova é um lugar onde podemos perceber a força da natureza, pois ela é implacável na recuperação de seus espaços.Quem desejar saber um pouco mais sobre o local, pode visitar a página do Vida Nova no Facebook.
Entrada para o espaço Vida Nova. Fotografia: Cynara Kaempf
          Começamos a observação às 7h das manhã sendo que estávamos em 9 pessoas neste momento. Percorremos algumas trilhas e fomos registrando as espécies que apareciam. Sempre penso que somos muito felizes por essas experiências que vamos vivenciando ao longo da nossa história como observadores de aves.
Vista geral de uma das trilhas que realizamos, percebe-se o tamanho das árvores e o sub bosque bem preservado. Fotografia: Cleberton
           Durante as trilhas no Vida Nova avistamos e escutamos diversas espécies, tais como Habia rubica (tiê do matogrosso), Tangara sayaca (sanhaço cinzento), Synallaxis ruficapilla (pichororé), Cyclarhis gujanensis (pitiguaria), Piculus aurulentus (pica pau dourado), Euphonia chlorotica (fim fim), Euphonia chalybea (cais cais), Cacicus chrysopterus (tecelão), Icterus pyrrhorpterus (encontro) entre outras tantas.
Macho de Habia rubica (tiê do mato grosso) se exibindo e nos presenteando com o canto e o chamado. Fotografia: Morci
Synallaxis ruficapilla (pichororé) "dando sopa" para registros fotográficos. Fotografia: Morci.
Macho da Dysithamnus mentalis (choquinha lisa), bastante comum no local. Fotografia: Cleberton
Participantes da observação no Vida Nova. Da esquerda para a direita: Cleberton, Morci, Marco, Ana, Io, Felipe, Samuel, Astor e Karin. Fotografia: Cleberton.
Leptopogon amaurocephalus (cabeçudo). Fotografia: Samuel Oliveira.
Enorme quantidade de palmitos juçara no local. Fotografia: Cleberton
          Observar aves é um exercício de paciência e silêncio. Caminhar por entre árvores e arbustos, sentir o cheiro da terra molhada sob nossos pés, sentir o aroma das flores e plantas no decorrer do trajeto, aguçar o ouvido para escutar os sons que a floresta nos revela é muito legal. Neste caso eu posso citar dois eventos em especial. O primeiro foi o vento agitando a copa dos Guapuruvus fazendo com que as suas pequenas folhas caíssem sobre as outras árvores dando a impressão que estava chovendo. Na verdade estava, era chuva de folhas que forravam o chão. O segundo foi a incidência dos raios solares entre os palmiteiros, adicionado com os resquícios da neblina que ainda pairavam no ar, deram um tom especial na saída da última trilha no Vida Nova.
Aproveitamos um pouquinho da energia do sol e seguimos.... Fotografia: Cleberton
Ela também aproveitou a energia do sol. Fotografia: Morci
          Por volta das 9h45min, decidimos continuar a observação em outro local. Nos despedimos dos participantes que não continuariam e seguimos para uma área localizada às margens do Rio Pardinho. Este lugar apresenta mata bem preservada sendo um excelente local para observação. Samuel conhece bem o local visto que fez seu estudo de Conclusão de Curso neste local.
Trilha em meio a vegetação na área próximo ao Rio Pardinho.
         O local é propício para diversas espécies de aves. Logo na entrada avistamos um casal de Dysithamnus mentalis (choquinha lisa), em diversos pontos escutamos as Chamaeza campanisona (tovaca campainha) vocalizando, escutamos um bando de Pyrrhura frontalis (tiriba de testa vermelha) que passaram voando logo acima da copa das árvores, Carpornis cucullata (corocoxó) vocalizando nas proximidades. Também avistamos Xiphorhynchus fuscus (arapaçu rajado), Pipraeidea melanonota (saíra viúva), Platyrinchus mystaceus (patinho), Triclaria malachitacea (sabiá cica) entre outras espécies.
Heliobletus contaminatus (trepadorzinho). Fotografia: Karin
          Este fulaninho acima foi uma grata surpresa para a manhã. Gerou uma boa discussão a respeito da identificação, pois foram poucas fotografias boas, feito esta da Karin, que permitiram uma identificação com clareza. Segundo informações repassadas pelo Samuel, ele não havia encontrado esta espécie nesta área quando realizou o estudo do TCC. Ele também comentou que já havia encontrado esta espécie na RPPN da UNISC, que é um local mais elevado.
Trogon surucura (surucuá variado) pegando um solzinho. Fotografia: Cleberton.
          Foi uma manhã excepcional em que conseguimos observar e escutar 88 espécies diferentes nas duas áreas. A lista completa das espécies pode ser observada aqui. Incluo aqui o registro sonoro do Psittacara leucophthalmus (periquitão maracanã), pois foi identificado posteriormente.
          Caso tenhas interesse de acompanhar a contagem global das espécies observadas neste dia, podes acessar o site do Global Big Day.
  
         Nos vemos na próxima saída

domingo, 1 de maio de 2016

Observação de Aves na Maravalha, Cruzeiro do Sul

           O dia começou apresentando temperatura na casa dos 6º e com um pouco de neblina, principalmente próximo ao Rio Taquari e nas áreas mais baixas. Chegamos no interior de Cruzeiro do Sul, mais precisamente na localidade de Maravalha, por volta das 7h30min. Nossa intenção era percorrer um trajeto com cerca de 5km, por vezes de carro e outras vezes a pé.
          Estacionamos os carros logo depois do cemitério da localidade e ficamos observado por ali. Logo a bicharada começou a aparecer. Avistamos muitas espécies próximo a um laguinho. Dentre elas podemos destacar o Cyanoloxia glaucocaerulea (azulinho) que se exibiu demais pra gente, Pachyramphus viridis (caneleiro verde), Psittacara leucophthalmus (piriquitão maracanã) um bando com 17 indivíduos passaram voando pela gente, Pardirallus nigricans (saracura sanã) ficou se exibindo atravessando a rua.

Figura 1: Cyanoloxia glaucocaerulea (azulinho) dando show de exibição. Fotografia: Cleberton Bianchini.
           Ficamos por aproximadamente 40 minutos observado neste local. Durante esse tempo o sol ficou mais forte e começou a aquecer o esqueleto, dissipando a neblina que ainda restava ajudando a revelar um céu azul fantástico. Então, pegamos os carros e seguimos mais adiante, parando novamente na encruzilhada com a entrada da Cabanha Maufer. Deixamos os carros e percorremos mais um trecho a pé.
          Ali avistamos várias espécies em um figueira e uma arroeira vermelha que estavam frutificando. Também encontramos espécies relacionadas com áreas de banhado, como o Certhiaxis cinnamomeus (curutié), Polioptila dumicola (balança rabo de máscara) e a Schoeniophylax phryganophilus (bichoita) que foi o primeiro avistamento e registro fotográfico de alguns. Essa fulana é linda e tem um canto muito particular.
Figura 2: Schoeniophylax phryganophilus (bichoita). Fotografia: Cleberton Bianchini.
           Ficamos neste local por aproximadamente 40 minutos e depois seguimos mais dois km, em direção a oeste. Estávamos em dois carros, sendo eu e o Felipe em um e o Astor e o Morci em outro. Eu e o Felipe chegamos ao novo local, então o Felipe desceu e eu estacionei. Avistamos um indivíduo pousado no topo de uma árvore à cerca de 40 metros de onde estávamos. O indivíduo apresentava coloração preta em todo o corpo, com exceção das partes nuas e de um banda branca e do extremo da cauda, além de apresentar um porte ereto, esbelto e imponente. Certamente era um gavião, um grande gavião, um lindo gavião, um fantástico e maravilhoso gavião preto (Urubitinga urubitinga). A euforia tomou conta e o coração pulsou mais forte, como no primeiro avistamento de uma espécie. Ainda mais quando esta espécie é tão imponente quando comparada aos gaviões que estamos habituados a avistar na nossa região (Rupornis magnirostris, Milvago chimango e Milvago chimachima). Importa mais ainda, quando este avistamento representa o registro fotográfico de uma nova espécie para a região e para nossos registros pessoais. Certamente, só de avistar esta espécie já valeu a manhã fria. O fulano, acima mencionado, ficou por cerca de 5 minutos pousado neste local e nós ficamos por ali, admirados, observando. Infelizmente ele não vocalizou, mas isso não diminuiu em nada nosso sentimento de alegria.
Figura 3: Urubitinga urubitinga (gavião preto). Fotografia: Cleberton Bianchini.
          Ainda maravilhados com o avistamento anterior, andamos mais um pouco. Desta vez caminhamos na direção sul pois o Cleberton havia escutado uma vocalização diferente ao seus ouvidos. Andamos cerca de 100 metros e um bando de Cyanocorax chrysops (gralha picaça) atravessou a estrada. Uma semana antes o Cristiano Parissoto havia encontrado elas próximo ao local em que estávamos. Ficamos mas uma vez encantados com a graciosidade das fulanas e fizemos algumas fotografias.
Figura 4: Cyanocorax chrysops (gralha picaça). Fotografia: Astor Gabriel
           Durante a manhã fomos privilegiados com o avistamento de 80 espécies diferentes. Foi uma manhã fria mas bastante proveitosa. A lista completa das espécies observadas pode ser conferida aqui. Na figura 5 estão os participantes desta saída.
Figura 5: Participantes da passarinhada (da esquerda para a direita - Morci, Astor, Felipe e Cleberton). Fotografia: Felipe Kuhn
           Sair para observar aves é mesmo uma atividade prazerosa, instiga os sentidos e acalenta a alma. Obrigado amigos pela companhia. Nos vemos na próxima.....