terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Cronograma 2017



Cronograma do COA Vales para 2017
Data: 14 e 15/01/2017
Local: Piquiri e Margens do Camaquâ, no interior do Município de Encruzilhada do Sul.
Acesso: maiores informações com João e Rodrigo.
Observações: No Piquiri é possível realizar observação da estrada, pois a circulação é livre por estradas e corredores entre as propriedades. Pode-se fazer o trajeto de carro ou a pé, aproveitando os melhores locais. O local apresenta diversidade de ambientes, como campos nativos e antropizados, matas de galeria nas margens dos arroios, algumas plantações e também áreas com silvicultura. O local está distante cerca de 60 km da sede do município. Não se tem uma estimativa das espécies encontradas lá, visto que as observações são realizadas informalmente por dois integrantes do COA Vales. Nas margens do Rio Camaquâ, existem várias áreas que podem ser exploradas nesta região, mas citarei somente uma. O acesso pode ser feito via RS471 até a ponte do Rio Camaquã. É uma trilha com livre acesso e com cerca de 8 km de extensão até a localidade de Pesqueiro Rico. A trilha é feita por um antigo caminho, hoje estrada abandonada, pelas margens do Rio. Durante o percurso há diversos tipos de ambientes e de paisagens, com áreas bem preservadas. Não se tem uma lista de espécies do local, pois os integrantes realizam observações esporádicas por lá.
Figura 1: Piquiri. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.


Figura 2:  Margens do Rio Camaquâ, no interior do município de Encruzilhada do Sul. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 12-02-2017
Local: Perau da Nega no interior do município de Boqueirão do Leão
Acesso: Seguir por uma estrada de chão, por cerca de 5km a partir da prefeitura de Boqueirão do Leão.
Observações: Local com cerca de 800 hectares de vegetação. O local é um ponto turístico do município e não tem problema de ir praticar observação lá. Tem-se a possibilidade de fazer algumas trilhas no local, tanto na parte de baixo como na parte de cima do perau (não conheço a trilha superior). Até o momento não realizamos observações lá, mas a área parece promissora, além de que o Belton menciona a ocorrência de Spizaetus tyrannus (Gavião pega macaco) e Procnias nudicollis (Araponga).
 Figura 3: Perau da Nega no interior do município de Boqueirão do Leão.  Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 12-03-2017
Local: caminho de Constantino no interior de Progresso.
Acesso: Partindo de lajeado, deve-se seguir pela BR 386, em direção a Soledade, até a ponte sobre o Rio Fão, tornar a esquerda e seguir pela estrada de chão por cerca de 18 km.
Observações: Realizaremos um trajeto de cerca de 3,3 km nas encostas do Rio Fão. Não conheço o local, mas parece-me uma estrada de circulação de veículos.
Figura 4: Caminho de Constantino no interior de Progresso: Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 09-04-2017
Local: Caminho no Viaduto 13, no interior do Município de Vespasiano Corrêa.
Acesso: seguir por estrada de chão, por cerca de 18 km, a partir do acesso ao V13 na cidade de Muçum na RS 129.
Observações: O local fica no vale do Rio Guaporé, próximo ao Viaduto 13 (V13). O V13 é um importante ponto turístico da região do Vale do Taquari estando situado a 18km da RS 130, na altura da cidade de muçum. Tem a possibilidade de alojamento do Refúgio Eco Explorer (www.refugioexplorer.com.br) com capacidade de alojamento para 26 pessoas. A trilha sugerida tem cerca de 3,5 km e está situada toda dentro da mata. A região apresenta altitudes na casa dos 400 metros e possui uma grande área de vegetação interligada devido ao Vale do Rio Guaporé. Ainda não se tem uma lista de espécies do local, visto que não realizamos nenhuma saída de observação para este local.
Figura 5:  Caminho sugerido próximo ao V13, no interior do município de Vespasiano Corrêa. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.

Data: 05 e 06/08/2017
Local: Fazenda Lagoa do Coração, no interior do Município de Rio Pardo.
Acesso: próximo a cidade, falar com Samuel para combinar com o proprietário da Fazenda.
Observações: Já realizamos saída para este local no ano de 2015, foi muito proveitosa. Registramos 124 espécies somente em um dia. Possui diversidade de ambientes com campos e vegetação florestal além de áreas alagadas e lagoas, fica na transição do Pampa com a Mata Atlântica. Os proprietários colocaram à disposição um local para pernoite caso desejarmos fazer mais observações lá. O relato completo desta saída pode ser conferido aqui.
Figura 6:  Fazenda Lagoa do Coração, no interior do município de Rio Pardo. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.



Data: 03/09/2017
Local: Tamanduá, no interior do Município de Marques de Souza.
Acesso: seguir pela BR386 até o distrito de Tamanduá, em Marques de Souza.
Observações: Já realizamos saída para lá no ano de 2015 e 2016. O relato da saída pode ser conferida no Blog do COA Vales. Maiores informações aqui.


Figura 8:  Percurso em Tamanduá, no interior do município de Marques de Souza. Fonte: Imagem do Google Earth, elaborado por Cleberton Bianchini.



Data: final de setembro ou inicio de outubro
Local: Piquiri no interior de Encruzilhada do Sul.
Acesso: pela rodovia BR287.
Observações: Pessoal de Encruzilhada está organizando o evento. Há relatos da ocorrência do Cardeal amarelo nestas bandas.









segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Observação de aves no município de Encruzilhada do Sul

         Seguindo a ideia de realizar uma saída de observação de aves por mês, o COA Vales seguiu para o município de Encruzilhada do Sul. Nossa saída ocorreu durante o final de semana dos dias 14 e 15 de janeiro. Existem dois integrantes do COA que são de Encruzilhada, o Rodrigo e o João, que organizaram a saída. Felizmente o Rodrigo não pode participar pois o filhote dele nasceu no meio da semana, saúde pro guri que acabou de vir ao mundo e felicidades ao amigo e família. Mas, o Seu João nos recebeu muitíssimo bem em sua casa. Também encontramos um casal de Rio Grande que estava visitando o Seu João e realizaram uma saída conosco.
         Os guris de Encruzilhada vem fazendo um papel de destaque no encontro de espécies por aquelas bandas. Hoje, o município apresenta 252 espécies registradas no site wikiaves. Este elevado número de espécies para o município é reflexo da paixão dos dois para observação, além das potencialidades do município devido a diversidade de ambientes. Parabéns pelo excelente trabalhado que vocês vem realizando no município.
          Saímos do Vale do Taquari em cinco pessoas (Astor, Alexandre, André, Cleberton e Tafael), até Santa Cruz do Sul. Então, juntaram-se a nós, mais o Samuel e o Jardel, e de lá seguimos para Encruzilhada. Chegamos na cidade por volta das 17 horas, encontramos o seu João e conversamos um pouco por ali. Ele nos relatou que no início da tarde haviam encontrado o Piranga flava (sanhaço de fogo) próximo da casa dele. Então, resolvemos dar uma incerta e ver se o bicho aparecia novamente. Mas infelizmente não apareceu. Ficamos observando por umas duas horas ali por perto, entramos em um potreiro e seguimos em direção ao riacho. Durante a tardinha avistamos inúmeras espécies, podendo citar o Megarynchus pitangua (neinei), Patagioenas cayennensis (pomba galega), Vireo chivi (juruviara), Tapera naevia (saci), Sporagra magellanica (pintassilgo), Empidonomus varius (peitica), Veniliornis spilogaster (picapauzinho verde carijó), Cyanocorax caeruleus (gralha azul), entre outros tantos.
Figura 1: Passarinhando próximo a cidade. Fotografia de Astor Gabriel.
Figura 2: Até um Arco-Íris nos foi dado. Fotografia de Astor Gabriel.
Figura 3: Empidonomus varius (peitica). Fotografia de Astor Gabriel.
Figura 4: Veniliornis spilogaster (picapauzinho verde carijó). Fotografia de Astor Gabriel.
        No início da noite ficamos esperando para ver se o Hydropsalis parvula (bacurau chintã) aparecia. Mas não foi desta vez. Voltamos para casa do Seu João e jantamos. Aliás, um jantar para os deuses gaúchos. Um churrasco maravilhoso, feito no capricho pelo Seu João. Após a janta, saímos novamente para ver se encontrávamos umas espécies noturnas. Encontramos somente o Hydropsalis torquata (bacurau tesoura).
         Domingo pela manhã, acordamos cedinho e seguimos para as margens do Rio Camaquâ, já na divisa com Canguçu. No caminho, saímos do asfalto e seguimos por uma estrada de chão. No trajeto avistamos inúmeras espécies, podendo citar o Theristicus caerulescens (maçarico real ou curicaca real), Myiophobus fasciatus (filipe), Cyanoloxia brissonii (azulão), Schoeniophylax phryganophilus (bichoita), Sicalis luteola (tipio), entre outras tantas espécies.
Figura 5: Theristicus caerulescens (maçarico real ou curicaca real). Fotografia de Astor Gabriel.
        Chegamos às margens do Rio Camaquâ, por volta das 7h30min. Deixamos os carros e seguimos para trilha. O local apresenta matas bem preservadas, com subbosque fechado e árvores imponentes. Havia muitos exemplares de Pirapiptadenia rigida (angico). Realizamos uma trilha de aproximadamente 1,5 km dentro da mata, seguindo o rio. Neste momento observamos algumas espécies de mata, como o Sittasomus griseicapillus (arapaçu verde), Chamaeza campanisona (tovaca campainha), Pyrrhocoma ruficeps (cabecinha castanha), além de um bando de Amazona pretrei (papagaio charão) que passaram voando sobre nós. Também avistamos um Sclerurus scansor (vira folha) nos sacaneando. É, sim senhor, o fulano estava nos sacaneando. Vou explicar. Escutamos uma vocalização e não conseguimos identificar. Ficamos apreensivos, pois o som estava próximo a nós e não avistávamos o emissor. Certo momento avistamos o Sclerurus scansor, mas ainda procurávamos o emissor do som, pois não era nenhum dos cantos conhecidos do vivente. Então, ficamos observando atentamente até ele cantar e, EURECA, era o Sclerurus scansor fazendo aquele som. Então ele virou na nossa direção e disse "pegadinha do malandro, yé yé", hahaha. Esta parte é brincadeira.
Figura 6: Indivíduo de Sclerurus scansor (vira folha), autora da pegadinha. Fotografia de Cleberton Bianchini
Figura 7: Observadores reunidos ao lado de um belo exemplar de Pirapiptadenia rigida (angico). Fotografia de Samuel Oliveira.
            Seguimos o baile, ainda intrigados com o canto do Sclerurus scansor. Saímos da mata e chegamos em uma área de campos com pastagens. Nesta área ainda avistamos um indivíduo de Heterospizias meridionalis (gavião caboclo) pousado em um moirão. Que logo alçou voo e recebeu a companhia de mais um que veio vocalizando forte. Também avistamos um Anthus lutescens (caminheiro zumbidor), Cathartes aura (urubu de cabeça vermelha), Agelaioides badius (asa de telha), além de uma passarada fazendo a festa com as frutinhas vermelhas de um exemplar de Matayba elaeagnoides (camboatá branco).
Figura 8: Frutinha de  Matayba elaeagnoides (camboatá branco) e que fazem a alegria das aves. Fotografia de Cleberton Bianchini.

Figura 9: Pessoal voltando do capão. Fotografia de Cleberton Bianchini.
Figura 10: Não queria dizer, mas, teve gente pulando a cerca na saída. Fotografia de Cleberton Bianchini.
          No retorno, resolvemos dar uma passadinha nas cascalheiras do Rio Camaquâ, para tentar a sorte. Avistamos dois indivíduos de Phaetusa simplex (trinta réis grande), mais dois de Charadrius collaris (batuíra de coleira) e um indivíduo adulto e mais um filhote de Hydropsalis torquata (bacurau tesoura). Enquanto descansávamos um pouco, ainda apareceu mais um casal de Megaceryle torquata (martim pescador grande) na margem do rio. Resolvemos retornar para a cidade e no caminho, não muito longe do local que estávamos, avistamos alguns indivíduos de Amazonetta brasiliensis (ananaí) em um banhadinho e um indivíduo de Ciconia maguari (joão grande) que passou voando por nós. Na chegada na cidade, ainda observamos umas aves no quinta da casa do Seu João, que aliás, é um magnífico quintal.
           Foi um final de semana muito proveitoso. Foram 111 espécies avistadas na saída, sendo que a lista completa pode ser conferida aqui. Os destaques ficaram por conta do bando de Amazona pretrei (papagaio charão) que passou sobrevoando a área em que estávamos, o encontro com o Megarynchus pitangua (neinei) tão ao sul e a malandragem do Sclerurus scansor (vira folha). Não conseguimos identificar o motivo de ele estar cantando assim, vale uma observação para os próximos encontros com a espécie.
          No mais, foi um final de semana muito bom. Gostaria de agradecer mais uma vez a hospitalidade do Seu João e família.
Nos vemos na próxima pessoal.